Em abril, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou o meu voto favorável ao projeto de lei 2650/03, do deputado Marcelo Guimarães Filho que, quando sancionado, impedirá a circulação de motocicletas nos corredores entre veículos.
A discussão, então, se desviou do seu foco principal – a segurança da circulação viária, principalmente dos motociclistas – para a defesa apaixonada da prestação de serviços de motofrete. Atividade que nasceu informal para enfrentar o desemprego, ganhando corpo em grandes metrópoles, com trânsito caótico.
E aí está o lado cruel da questão. Quanto mais caótico o trânsito, mais agressivo e letal ele é. Sem controle, regras claras e fiscalização, as vias de circulação se transformam em modernas arenas romanas, onde a luta desigual pelo espaço são batalhas sangrentas. É fácil adivinhar quem perderá essa luta e, muito provavelmente, a própria vida.
De 1997 a 2007 a produção de motocicletas cresceu 300%. Já dados do Ministério da Saúde mostram que o número de mortes por acidentes de motos cresceu 800%, passando de 956 vítimas, em 1997, para 7.896, em 2007. Contra fatos, não há argumentos.
Não há como continuar aceitando com passividade e injustificado conformismo tantas mortes e sequelas no trânsito por imprudência, pressão econômica e principalmente, por falta de atitude e controle das autoridades. Era necessário tomar alguma medida.
A primeira delas, definir sem dissimulação a relação custo/benefício entre a atividade econômica e a preservação da vida, assumindo publicamente em que lado estamos. Certamente o direito a vida deve vir sempre em primeiro lugar.
Caixa de texto: Deputado federal (PSC-RJ). Relator do Projeto de Lei 2650/03 que proíbe a circulação de motocicletas no corredor
Hugo Leal
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