DIÁRIO CATARINENSE - SC
A impunidade no trânsito e a necessidade de cumprimento do que prevê a legislação ganhou força nos últimos dias com o acidente que envolveu o deputado paranaense Fernando Ribas Carli Filho e com o aniversário de um ano da Lei Seca.
O momento para essa discussão não poderia ser mais oportuno. Vem na hora em que, em Brasília, um grupo de deputados federais se mobiliza para debater e promover alterações no Código de Trânsito Brasileiro. A iniciativa merece elogios. O nosso Código de Trânsito é um dos mais modernos do mundo, e inclusive já serviu de modelo para outros países, como a Argentina. Apesar de ser uma legislação recente, tem dez anos, é urgente a necessidade de atualizações. Os assuntos relacionados ao trânsito são dinâmicos.
O crescimento da frota de motos, que veio acompanhado em proporção pelo crescimento do número de acidentes envolvendo motociclistas tem menos de 10 anos. As motos deveriam ser proibidas de costurar pelos corredores de carros e ônibus. E não pela confusão que provocam, mas pela insegurança que geram principalmente aos seus condutores. Outro exemplo é o valor das multas, que permanece inalterado há anos. Quando o Código de Trânsito entrou em vigência, em janeiro de 1998, o valor era calculado em Ufirs e depois foi congelado em reais. Na época, os valores eram altos. Hoje, os valores já não pesam tanto.
O mais urgente são medidas que acabem com a impunidade no trânsito. As alterações no código são necessárias, mas não têm o poder de provocar mudanças se não vierem acompanhadas de um programa efetivo de fiscalização que garanta o cumprimento da legislação. Que assegure que motoristas infratores assumam a responsabilidade por seus atos e sejam punidos por eles. Ações apenas pontuais não possuem o poder de quebrar paradigmas, e não geram mudança de comportamento.
* Engenheiro, especialista em Gestão de Trânsito
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