Estudos apontam para um recuo inequívoco de acidentes, feridos e mortos. Segundo o Ministério da Saúde, o número de mortes caiu 22,5% em média no país e os atendimentos às vítimas, em hospitais conveniados ao Sistema Único de Saúde (SUS), 23%.
A Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (Abramet) comparou o primeiro semestre de 2008 (portanto sem os efeitos da nova lei) com o segundo semestre e chegou a referências semelhantes: 28% a menos de internações no SUS por motivo de desastres em ruas e estradas.
Houve diferenças relevantes entre os estados em função da intensidade de fiscalização com que cada um se comprometeu. São Paulo, por exemplo, apontou queda de 7% no índice de fatalidades, menor em razão de ter iniciado já em 2007 um trabalho de vigilância e blitze regulares, antes mesmo da publicação da nova lei, quando ainda valia o antigo limite de alcoolemia de 0,3 mg/litro de ar expelido.
A reação de associações de bares e de parte de alguns formadores de opinião foi fortemente contrária ao limite menor de álcool no sangue para o motorista assumir o volante. Alegam que a maioria dos países mantém o limite de 0,3 mg/litro. Ações contra a nova lei chegaram ao Supremo Tribunal Federal, que ainda não se pronunciou. Será difícil a Justiça decidir contra a alcoolemia mais baixa, existente também em outros países e aqui aprovada pelo Congresso Nacional. Os críticos discordam das razões para os bons resultados, atribuindo o sucesso apenas e tão-somente ao aumento da fiscalização, independentemente do limite de alcoolemia.
É óbvio que a vigilância tem e sempre terá papel fundamental. Os governos federal e alguns estaduais mobilizaram-se para a compra de etilômetros e organizaram controles em vias públicas como nunca se viu, refletindo-se em estatísticas positivas. Por outro lado, mobilização repressiva permanente, em alto grau, é inviável. Claro que a fiscalização já diminuiu e os acidentes talvez voltem a subir. Campanhas educativas, como as do Denatran, mostram o seu peso, mas não são eternas. Punições efetivas também ajudariam, se superadas as chicanas judiciais infelizmente ainda existentes.
Uma constatação: motoristas que frequentam bares e restaurantes dificilmente limitam-se a duas ou três tulipas de cerveja, duas ou três taças de vinho. As doses ingeridas são maiores. Apenas a lembrança de que a tolerância da lei é próxima de zero já significa um saudável efeito inibidor. A Abramet constatou que a gravidade dos ferimentos e o tempo médio de internação caíram bastante. Trata-se da diferença entre um copo a mais ou a menos.
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