Até quando estaremos assistindo a isto?

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Celso Franco

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Embora tenha decidido não mais comentar as tragédias do dia a dia, do trânsito brasileiro, não só quanto à perda de vidas, mas, também, quanto à perda de tempo, não posso me calar sobre a repetição anual dos acidentes, em larga escala, no Carnaval. A maioria esmagadora nas nossas estradas pessimamente conservadas, contribuindo assim para o ambiente perfeito para esta tragédia nacional.

Tinha razão o autor francês, Paul Guimard, ao observar, no livro As coisas da vida, no qual descreve o drama de um acidentado que morre em um desastre: "Mas não se preocupe com que você acabou de ler, são os outros que morrem em acidentes de trânsito, você é imortal". Parece ser exatamente este o raciocínio do nosso motorista, face ao assustador número de registros, com mortos e feridos, apesar dos esforços, alguns dispersos, outros impróprios e na maioria ineficazes, das autoridades para aumentar a segurança ao volante.

Vamos voltar no tempo. Em junho de 1967 eu, um desconhecido oficial de Marinha, recém passado para a reserva, era distinguido com convite do governador Negrão de Lima, para assumir o DETRAN da Guanabara.

Trazia uma vontade enorme de acertar e o conhecimento do assunto, fruto de dois anos de convívio e de estudos na Holanda, junto à sua excelente polícia de trânsito. Trouxe como inovações o uso do policiamento a cavalo em locais onde houvesse conflito entre pedestres e veículos, implantando-o no entorno do Maracanã, em dias de grandes jogos e, o uso do helicóptero, como extraordinária ferramenta para a engenharia de tráfego e o policiamento.

Como cláusula pétrea administrativa: o apoio total à engenharia e ao policiamento. Eram blindados contra os interesses políticos de quem quer que fosse, com apoio do governador. Criamos na engenharia uma seção de estatística e de análise de acidentes, entregue a um engenheiro.

Ela nos orientava no combate aos pontos de acidentes mais comuns, modificando o que de errado havia e reforçando o policiamento onde era impossível mudar o traçado das vias. Passamos a fiscalizar a circulação de helicóptero, orientando, quando possível, pela Rádio Nacional os motoristas e vetorando, pela faixa de rádio da polícia, os motociclistas.

Determinamos a pintura do número de série no teto dos ônibus, os campeões de acidentes, a fim de fiscalizá-los do alto, por helicóptero.

E, por que estou citando estes fatos? Para tentar convencer as autoridades que o policiamento não pode ser estático.

Em 1968, participei na Alemanha de um vôo de rotina de fiscalização sobre as suas excelentes rodovias, utilizando helicóptero dotado de câmera fotográfica e de um possante auto falante para registrar as infrações e advertir os infratores.

Pelo amor de Deus introduzam este sistema aqui e verão que os óbitos nas estatísticas de acidentes, que precisam ser criadas e analisadas, irão diminuir a níveis civilizados. Se possível coloquem a Polícia Rodoviária subordinada à engenharia responsável pelas estradas. Eles devem formar uma equipe, tendo o máximo de sua eficácia. Em tempo, proíbam a circulação de caminhões nos fins de semana e nos feriados prolongados. É assim na Europa há mais de 40 anos, pois eles se constituem em um fator principal de acidentes por ultrapassagens.

 
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