Os jovens e o álcool: o que fazer?

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Zélia Nolasco Freire - Professora

A sociedade vivencia uma situação delicadíssima que não se restringe à cidade de Dourados e pelo que vejo, esse problema pode ser considerado como um "mal do século".

Refiro-me à questão do alto consumo de álcool pelos jovens e, nesse caso, não precisamos ir muito longe. Quantos de vocês já viram a situação dos jovens que param seus veículos em pontos estratégicos de Dourados, em locais que vendem bebidas alcoólicas, principalmente, em "distribuidoras" de bebidas ou conveniências?

Muitos ficam bebendo na rua mesmo, nas calçadas, de qualquer jeito. Alguns, até abastecem a caixa de isopor que carregam no porta-malas de seu veículo. Bebem praticamente, a noite toda. Sempre em grupos. Faz-nos pensar que os jovens, hoje em dia, que vivem em uma sociedade moderna, que convivem com valores "mais flexíveis", continuam ainda com a velha necessidade de autoafirmação para garantir-se e para fazer parte de um "grupo" de "amigos". Há sessenta e cinco anos, "Sóza", meu velho e querido pai, foi vítima desse comportamento, em função disso, começou a fumar aos treze anos de idade. Hoje, sofre com um enfisema pulmonar e luta todo santo dia para não cair na tentação. Embora, a gente saiba que de vez em quando ele tem uma recaída e fuma um escondidinho, mas luta sempre.

Os ideais da geração do meu pai eram outros, bem diferentes dos atuais. Os jovens vivem uma contradição, pois, hoje, a palavra de ordem é saúde, beleza e juventude. Eles que possuem tudo isso, simplesmente, não se cuidam e, automaticamente, não valorizam o que receberam da natureza, sem lhes custar nada. Agora, além de não cuidarem da própria saúde, bebem "todas" e saem dirigindo por aí, colocando a vida de inocentes em risco. Dizem que jovens "são jovens", "é outro papo", mas na maioria das vezes são imaturos e irresponsáveis, talvez, em função da própria idade, talvez para serem aceitos pelo grupo, talvez, pela falta de experiência e diria até, pela falta de limites que os pais não souberam dar.

Penso que nessa situação, o poder público poderia agir preventivamente, isto é, fiscalizar os estabelecimentos comerciais para que eles não vendam bebidas alcoólicas para menores, já que é proibido por lei. Ou então, que se estabeleça, em nossa cidade, um toque de recolher com horário limite para as 23h. Depois disso, menor na rua, somente acompanhado com os pais ou responsável. No boteco, nem mesmo com os pais. Temos, ainda, a nova Lei 11.705, que altera o Código de Trânsito Brasileiro, que proíbe o consumo de praticamente qualquer quantidade de bebida alcoólica por condutores de veículos, a famosa "Lei seca", que deveria ser colocada em prática de fato. Afinal, as leis são criadas para quê? Pois, com essa lei, os motoristas flagrados excedendo o limite de 0,2 gramas de álcool por litro de sangue pagarão multa de 957 reais, perderão a carteira de motorista por um ano e terão o carro apreendido. Eu lhes pergunto: como fechar os olhos diante de situação tão deprimente? Os jovens estão bebendo todas e mais um pouco. Não é preciso ingerir muito álcool, para alcançar o limite estipulado pela "Lei seca", basta beber uma única lata de cerveja ou uma taça de vinho. Quem for apanhado pelo "bafômetro" com mais de 0,6 grama de álcool por litro de sangue (equivalente a três latas de cerveja) poderá ser preso. Acredito que se fizerem um teste do bafômetro nos jovens motoristas que frequentam esses lugares, nenhum deles sairá imune, pois o teste o acusará. Seria resolvido o problema se estabelecessem entre o grupo um rodízio, cada semana, um é designado para dirigir para a turma e esse, automaticamente, está proibido de beber. Isso se chama responsabilidade e consciência.

Enfatizo que o objetivo da "Lei seca" é diminuir os acidentes de trânsito causados por motoristas embriagados. Uma vez que, o consumo de bebidas alcoólicas é uma das principais causas de acidentes automobilísticos no país, segundo estatística da Polícia Rodoviária Federal. E, na nossa cidade tivemos acidentes de trânsito com mortes, quando não, as vítimas ficaram presas a uma cadeira de rodas para o resto de suas vidas, devido ao fato do motorista estar embriagado. Logo, a sugestão para amainar a situação (porque não acredito em solução para o problema), é que o poder público aja preventivamente e não "a posteriore", pois o estrago já estará feito. Ou ainda, para tomar uma atitude mais drástica, que se implante o toque de recolher. Deu 23h, nenhum menor nas ruas. O melhor seria unir as duas sugestões. Não é mais possível fechar os olhos diante da atual situação.

 

 

 
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