A era do congestionamento

  • PDF
  • Imprimir
  • E-mail
Editorial Correio Braziliense

O século 20 foi descrito como o século do automóvel. O século 21 está nascendo para muitas cidades do Brasil e do mundo como a era do congestionamento. As estimativas mundiais são de que há hoje 1 bilhão de automóveis em circulação, um para cada seis habitantes. No Brasil, de janeiro ao fim de abril, saíram das montadoras 1 milhão de automóveis. Cidades como São Paulo registraram neste ano congestionamentos que, em algumas sextas-feiras, chegaram a mais de 200 quilômetros de veículos. É uma metrópole em que, enquanto nascem 500 bebês por dia, são emplacados 800 novos automóveis. E o trânsito de capitais como Porto Alegre está perdendo a corrida da circulação: os horários de pique das manhãs e especialmente dos fins de tarde revelam engarrafamentos crescentes e preocupantes. Os investimentos em rodovias, ruas, avenidas, viadutos e túneis está muito aquém das necessidades que a explosão no uso de veículos está exigindo.

O que há alguns anos era o sinal do crescimento e símbolo do progresso tornou-se agora a maior dor de cabeça dos governos. A estrutura urbana da maioria das cidades brasileiras é herdeira de um modelo de ruas estreitas e de vielas que o colonizador português nos deixou e que as administrações municipais não conseguiram adequar plenamente às exigências da era do automóvel. A essa causa histórica, que faz dos centros metropolitanos labirintos intransitáveis, soma-se a aceleração da quantidade de veículos em circulação. O crédito fácil e o crescimento do poder aquisitivo, virtudes indiscutíveis e desejadas, têm como preço a ampliação de um equívoco urbanístico cometido por nossos planejadores: o de privilegiar o transporte individual sobre pneus para a classe média e de deixar o transporte coletivo, nem sempre suficiente e adequado, para a maioria dos usuários de menores posses.

Entra aí um desafio que precisa ser enfrentado pelos governos de todas as instâncias. As cidades que, no mundo, conseguiram vencer o impasse do trânsito só o fizeram quando organizaram sistemas amplos de transporte coletivo que incluíram metrôs subterrâneos ou de superfície. Todas as demais providências são precárias e provisórias. Reescalonar os horários de funcionamento do comércio, das repartições e das escolas, introduzir rodízio de placas, adotar semáforos inteligentes, estimular o transporte solidário, criar ciclovias ou instalar pedágios urbanos são medidas penosas para a população ou insuficientes para enfrentar a magnitude do problema em que a circulação de veículos das cidades se constituiu.

Assim, até para poupar as metrópoles desses males, das perdas econômicas provocadas pelos congestionamentos e de um foco gerador de poluição, o caminho são planejamentos de longo prazo e investimentos pesados num transporte coletivo de qualidade. Só quando o transporte de massa se tornar mais vantajoso, rápido e eficiente que os veículos pessoais para a maioria dos usuários, a grave questão da circulação das cidades poderá ser tida como definitivamente resolvida.

TRANSPORTE COLETIVO

Só quando o transporte de massa se tornar mais vantajoso, rápido e eficiente que os veículos pessoais para a maioria dos usuários, a grave questão do trânsito das cidades poderá ser tida como definitivamente resolvida

 
Free Joomla Templates by JoomlaShine.com