Artigo publicado no Jornal Zero Hora
Apenas em acidentes de trânsito evitados, neste ano, o Estado brasileiro poupará cerca de R$ 12 bilhões. Muito dinheiro.
Sem surpresa nenhuma, leio nos jornais que o supra-aludido sindicato está informando que seus filiados estão no prejuízo e prevê, como sempre nestas ocasiões, quebradeira geral e desemprego. Fizeram o mesmo quando da proibição da propaganda de tabaco, lembram?
No entanto, se é justo reconhecer que, sim, estão no prejuízo, não é menos justo admitir que nós, cidadãos brasileiros, nós, contribuintes, estamos no lucro. Um lucro em vidas e um lucro em dinheiro mesmo. É tão expressivo o que o Estado poupará que a Abead vem a público sugerir que o Banco do Brasil abra uma linha de financiamento para ajudar comerciantes do ramo de bebidas que queiram mudar de setor de atuação.
A idéia não é nova. A Organização Mundial de Saúde (OMS) propôs o mesmo para agricultores que quisessem deixar de plantar tabaco e optassem por mudança de lavoura e, de fato, é mister que nos perguntemos se necessitamos, no Brasil, de tantos bares. Também, mais cedo ou mais tarde, teremos que nos perguntar se precisamos de bares 24 horas.
Ou seja, saudamos a redução de consumo de bebidas alcoólicas, saudamos os ganhos da nação e oferecemos uma sugestão para os comerciantes em dificuldade. Afinal, com mais quitandas e menos bares, daremos um país melhor para nossos filhos.
*Psiquiatra e psicanalista, conselheiro da Associação Brasileira de Estudos sobre Álcool e outras Drogas (Abead)
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