HUGO LEAL
Este carnaval não será igual àquele que passou. Parafraseando a marchinha de carnaval, é o que a sociedade espera que ocorra nas estradas após o advento da Lei Seca. Na folia de 2008, com a medida provisória 415 em vigor, proibindo a venda de bebidas em bares e restaurantes nas estradas, o número de acidentes cresceu 17% em relação ao ano anterior. Agora, com a aplicação efetiva da lei 11.705 todos torcem para que esses índices não se repitam.
O "choque de ordem" que se estabeleceu na cidade do Rio de Janeiro com o apoio do governo do Estado, inclusive nas imediações do Maracanã, deve chegar agora às estradas fluminenses.
No carnaval passado foram 373 acidentes, deixando 15 mortos e 149 feridos.
Nas festas de fim de ano, com a Lei Seca vigorando, a Polícia Rodoviária Federal registrou 33 mortes nas estradas federais fluminenses, deixando o Estado do Rio com o segundo maior número de mortos no país. Minas Gerais ficou em primeiro lugar.
De acordo com a Polícia Rodoviária, se a lei não existisse os índices de acidentes e vítimas poderiam ser maiores.
Antecipando-se ao novo feriado, o governo do Estado adquiriu 173 etilômetros.
A Polícia Militar ficou com o maior número de equipamentos e prometeu colocar o bloco na rua. A Secretaria Especial de Ordem Pública do Rio, que recebeu parte dos bafômetros, já está operando na cidade, a fim de inibir o ato de dirigir embriagado.
É importante frisar que uma lei só se torna efetiva quando há envolvimento da sociedade na sua aplicação.
Reconheço que muitas leis apresentam um resultado aquém do esperado, principalmente quando exige uma mudança de comportamento da população.
A lei 11.705/08, que instituiu a alcoolemia zero para o condutor de veículos, tem este componente social.
Mesmo os que reclamam, afirmando que um ou dois copos de cerveja não prejudicam o ato de dirigir — informação essa jamais confirmada por qualquer profissional de saúde —, aderiram.
Primeiro foi a sua aprovação legal.
Agora, é necessária a efetiva compreensão dos condutores e a real fiscalização, por parte dos agentes de trânsito, contra a imprudência dos motoristas. O carnaval é uma ótima oportunidade para mostrar que estamos no caminho certo e pode tirar do Brasil o indesejável destaque como um dos líderes no ranking mundial da violência no trânsito.
HUGO LEAL é deputado federal (PSC-RJ).
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