Acidentes com veículos de cargas: uma análise sobre acidentes de trânsito com caminhões nas rodovias

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Este estudo pretende realizar uma análise estatística comparativa sobre alguns aspectos importantes com relação aos acidentes de trânsito nas rodovias federais brasileiras nos anos de 2004 e 2007 envolvendo caminhões. Os acidentes de trânsito constituem-se num grave problema social e econômico de desperdícios materiais e humanos, que ceifam milhares de vidas anualmente no Brasil. O País é um dos recordistas mundiais de acidentes de trânsito, constituindo um alto custo social.

Os acidentes de trânsito constituem-se num grave problema social e econômico de desperdícios materiais e humanos, que ceifam milhares de vidas anualmente no Brasil. O País é um dos recordistas mundiais de acidentes de trânsito, constituindo um alto custo social. Os acidentes de trânsito, em qualquer circunstância que ocorram, são experiências dolorosas e representam um drama familiar e pessoal para os que neles se envolvem. O acidente de trânsito é uma tragédia sem fim, que se tornou a principal causa de mortalidade da população jovem dos países industrializados e adquiriu contornos de saúde pública que exigem respostas rápidas e cuidados indispensáveis à preservação da vida das pessoas que trafegam pelas estradas.

No Brasil, o transporte terrestre de passageiros e de cargas é bastante representativo nas relações sociais e econômicas contemporâneas. O desenvolvimento do País passa pela matriz rodoviária. A configuração sócio-econômica brasileira vinculada ao transporte rodoviário acaba elevando o fluxo de caminhões nas rodovias e, conseqüentemente, aumenta o número de acidentes de trânsito envolvendo caminhões e veículos de carga. Enfrentar o problema dos acidentes de trânsito requer ações específicas de acordo com as características de cada fenômeno. É preciso identificar as causas que levam um grande número de caminhões a se acidentarem nas rodovias federais e as conseqüências que acarretam em termos de danos pessoais, materiais e sociais.

Via Dutra é palco de acidentes com caminhões

Foto extraída de www.avozdacidade.com/ em 12/02/2009

Segundo a Agência na Nacional de Transportes Terrestres – ANTT, existem cerca de 130 mil empresas de transporte de cargas no Brasil com mais 1.6 milhões de veículos que oferece atividades diretas de trabalho a pelo menos 5 milhões de pessoas. O transporte rodoviário no Brasil fatura mais de R$ 40 bilhões anuais e movimenta 2/3 do total de carga do país.

Conforme levantamento feito pela Confederação Nacional do Transporte, o Brasil tem cerca de 1,5 milhão de caminhoneiros, trabalhando em média 15 horas diárias. 57% deles trabalham sete dias por semana. Aproximadamente 66% dos caminhoneiros rodam mais de 5.000 Km por mês e 34,1% dirigem mensalmente em torno de 10.000 Km. O excesso de jornada de trabalho e as longas distâncias percorridas pelos caminhoneiros são dois dos fatores que contribuem para a incidência de acidentes envolvendo caminhões nas rodovias brasileiras.

Os acidentes envolvendo caminhões são freqüentes e cada vez mais trágicos. As conseqüências dos acidentes de trânsito atingem proporções cada vez maiores e das mais diversas naturezas. Na seqüência, podemos observar uma cadeia de desperdício de recursos materiais e humanos decorrente dos acidentes envolvendo caminhões, conforme podemos observar na ilustração abaixo. A reportagem descreve um caso típico de acidente de trânsito envolvendo caminhões nas rodovias federais brasileiras.

No ano de 2004, a Polícia Rodoviária Federal registrou 40.107 acidentes com caminhões, envolvendo 73.005 veículos resultando, ainda, em 2.666 mortos. No ano de 2007, ocorreram 45.833 acidentes com caminhões, envolvendo 83.749 veículos resultando, ainda, 3124 mortos (ver tabela 1). Esses números representaram um aumento de 14,27% de aumento na quantidade de acidentes e de 17,17% na quantidade de mortos.

As rodovias federais no Estado de Minas Gerais foram as que mais ocorreram acidentes dessa natureza, com 7.506 acidentes e 541 mortos no ano de 2004 e 8.951 acidentes e 591 mortes no ano de 2007, cujos índices aumentaram 19,25 % e 9,24 %, respectivamente. Em segundo lugar em número de acidentes estão as rodovias de São Paulo onde ocorreram 4.290 acidentes em 2004 e 4.679 acidentes em 2007 representando aumento de 9,06. Em São Paulo, o número de mortes em acidentes envolvendo caminhões subiu de 152 no ano de 2004 para 185 em 2007 com índice de aumento de 21,71%. O segundo Estado em número de morte é Bahia que elevou passou de 255 mortos em 2004 para 331 mortos em 2007, um aumento de 29,8%.

Comparando os anos de 2004 e 2007, os estados do Amazonas ( 24 : 42 acidentes = + 75%), Piauí (302 : 492 = + 62,91%), Ceará (447 : 699 = + 56,37%), Pará ( 760 : 1.135 = + 49,34%), Maranhão (625 : 889 = + 42,24%) e Rondônia (483 : 672 = + 39,13%) foram os que apresentaram os maiores índices de aumento de acidentes com caminhões nas rodovias federais. Por outro lado, os estados de Amapá (45 : 27 = -40%), Mato Grosso (1.823 : 1.474 = - 19,15%), Mato Grosso do Sul (1.071 : 1.002 = -7,45%), Paraná ( 2386 : 2231 = - 6,5%), Distrito Federal (466 : 460 = - 2,29%) e Tocantins (364 : 360 = -1,1%) reduziram os incidentes de acidentes.

Comparando o mesmo período – anos de 2004 e 2007 – para o número de mortos em acidentes envolvendo caminhões nas rodovias federais, os estados de Roraima (3 : 10 = + 333%), Sergipe (27 : 50 = + 85,18%), Pernambuco (106 : 119 = +76,92), Piauí (30 : 53 = 76,66%), (Pará (45 : 70 = + 55,55%), Maranhão (89 : 134 = +50,56%), Paraná (102 : 156 = + 52,54%), Ceará (43 : 63 = + 46,41%) e Tocantins (39 : 56 = + 43,58%) apresentaram elevados índices de aumento nesse indicador. Enquanto isso, os estados de Amapá (5 : 1 = - 80%), Amazonas (4 : 1 = - 75%), Rondônia (54 : 41 = - 24,08%), Rio Grande do Norte ( 62 : 48 = - 22,59%), Mato Grosso do Sul (103 : 86 = -16,41%), Goiás (123 : 106 = - 14,52%), Rio Grande do Sul (156 :151 = -3,21%) e Mato Grosso reduziram significativamente o índice de mortos

Tabela 1

TOTAL DE ACIDENTES ENVOLVENDO CAMINHÕES/VEIC. DE CARGA – 2004 /2007

– Rodovias Federais

REGIONAIS


ACIDENTES

ACIDENTES

VAR %

MORTOS

MORTOS

VAR %

1ª SPRF - Goiás

1247

1612

29,27

123

106

-14,52

2ª SPRF - Mato Grosso

1823

1474

-19.15

143

140

-2,1

3ª SPRF - Mato Grosso do Sul

1071

1002

-7,45

103

86

-16,41

4ª SPRF - Minas Gerais

7506

8951

19,25

541

591

9,24

5ª SPRF - Rio de Janeiro

3388

4011

18,38

155

167

7,74

6ª SPRF - São Paulo

4290

4679

9,06

152

185

21,71

7ª SPRF - Paraná

2386

2231

-6,5

102

156

52,54

8ª SPRF - Santa Catarina

3826

4543

18,74

246

285

15,85

9ª SPRF - Rio Grande do Sul

3313

3412

2,98

156

151

-3,21

10ª SPRF - Bahia

2774

3031

9,26

255

331

29,8

11ª SPRF - Pernambuco

1166

1446

24,01

65

135

76,92

12ª SPRF - Espírito Santo

1903

2483

30,47

106

119

12,26

13ª SPRF - Alagoas

481

546

13,51

45

53

17,77

14ª SPRF - Paraíba

401

515

28,42

43

58

34,88

15ª SPRF - Rio Grande do Norte

537

602

12,1

62

48

-22,59

16ª SPRF - Ceará

447

699

56,37

43

63

46,51

17ª SPRF - Piauí

302

492

62,91

30

53

76,66

18ª SPRF - Maranhão

625

889

42,24

89

134

50,56

19ª SPRF - Pará

760

1135

49,34

45

70

55,55

20ª SPRF - Sergipe

432

462

6,94

27

50

85,18

21ª SPRF - Rondônia/Acre

483

672

39,13

54

41

-24,08

1º DPRF - Distrito Federal

466

460

-2,29

30

34

13,33

2º DPRF - Tocantins

364

360

-1,1

39

56

43,58

3º DPRF - Amazonas

24

42

75,0

4

1

-75,0

4º DPRF - Amapá

45

27

-40,0

5

1

-80,0

5º DPRF - Roraima

47

57

21,27

3

10

333,0

TOTAL

40107

45833

14,27

2666

3124

17,17

Fonte:DATATRAN/DPRF


Analisando os acidentes com caminhões no ano de 2004, segundo a gravidade, de acordo com dados da Polícia Rodoviária Federal, foram 28.735 acidentes sem vítimas, 9.391 acidentes com feridos e 1.981 acidentes com mortos. O total de veículos envolvidos nos acidentes com caminhões foi de 73.005 equivalente a uma média de 02 pessoas por veículo (ver tabela 2). No ano de 2007 ocorreram 31.507 acidentes sem vítimas ( + 9,64%), 11.997 acidentes com vítimas ( + 27,74%), 2.393 acidentes com mortos (+ 20,79%). Ocorreram, ainda, um aumento de 14,27% no total geral de acidentes ( 40.107 : 45.833), aumento de 19,57% no total de feridos (17.739 : 21.211) e aumento de 17,17% no número de mortos (2.666 : 3.124).

Tabela 2

RESUMO: ACIDENTES CAMINHÕES/VEIC. CARGAS - Rodovias Federais – 2004 - 2007

TOTAL DE ACIDENTES SEM VÍTIMAS

28.735

31.507

+ 9,64 %

TOTAL DE ACIDENTES COM FERIDOS

9.391

11.997

+ 27,74 %

TOTAL DE ACIDENTES COM MORTOS

1.981

2.393

+ 20,79 %

TOTAL DE ACIDENTES

40.107

45.833

+ 14,27 %

TOTAL DE FERIDOS

17.739

21.211

+ 19,57 %

TOTAL DE MORTOS

2.666

3.124

+ 17,17 %

TOTAL DE VÉICULOS ENVOLVIDOS

73.005

83.749

+ 14,71 %

VÍTIMAS SOCORRIDAS PELA PRF

2.074

2.629

+ 26,75 %

Fonte:DATATRAN/DPRF

Com relação aos tipos de acidentes - tabela 3 -, verifica-se que em 2004 a ocorrência do tipo colisão traseira foi a que mais aconteceu (10.022 acidentes). O segundo tipo de acidente mais freqüente foi a colisão lateral (9.557 acidentes). No ano de 2007 a colisão traseira (11.955) e a colisão lateral (11.341) ainda são os dois tipos mais freqüentes de acidentes. O atropelamento de pedestres com 515 ocorrências, resultou em 214 mortes no ano de 2004. No ano de 2007 houve um aumento expressivo nesse indicador com 630 acidentes (+22,33%) e 279 pedestres mortos ( +30,37%) , - tabela 3 -. Outro número expressivo refere-se ao atropelamento de animais com 1.051 acidentes em 2004, embora tenha diminuído para 957 ocorrências em 2007.

Tabela 3

TIPO DE ACIDENTES C/ CAMINHÕES/VEIC CARGA - Rodovias Federais - Ano 2004 - 2007

TIPO DE ACIDENTE

Ano 2004

Ano 2007

COLISÃO TRASEIRA

10.022

11.955

COLISÃO LATERAL

9.557

11.341

COLISÃO FRONTAL

1.813

1.910

COLISÃO TRANSVERSAL

2.186

3.324

COLISÃO COM OBJETO FIXO

2.362

1.974

ATROPELAMENTO PEDESTRE

515

630

ATROPELAMENTO ANIMAL

1.051

957

TOMBAMENTO

3.889

4.523

CAPOTAMENTO

1.296

1.049

SAÍDA DE PISTA

3.993

5.328

OUTRAS

3.432

2.842

TOTAL

40.107

45.833

Fonte:DATATRAN/DPRF

Quanto aos fatores contribuintes, - tabela 4 -, no ano de 2004 destacou-se a falta de atenção do condutor (11.211 acidentes), seguido da velocidade incompatível com as vias - 3.463 acidentes -; e negligência quanto a não guardar distância de segurança (3.458 observações). Em 2007, a falta de atenção continuou como principal fator contribuinte (14.492 ocorrências). No ano de 2007 observou-se um acentuado aumento nos índices de acidentes decorrentes ingestão de álcool (196 : 687 = + 250%), defeito na via (574 : 906 = + 57,86%), defeito de mecânico em veiculo (2.078 : 3.043 = + 46,43%) e dormindo ( 980 : 1.746 = + 78,16%).

Tabela 4

FATORES CONTRIBUINTES - acidentes caminhões/veíc. carga - Rodovias Federais - ANO 2004 - 2007

FATORES CONTRIBUINTES

ANO 2004

ANO 2007

VELOCIDADE IMCOMPATIVEL

3.463

1.774

ULTRAPASSAGEM INDEVIDA

1.998

1.477

INGESTÃO DE ÁLCOOL

196

687

DESOBEDIENCIA A SINALIZAÇÃO

1.434

1.164

DEFEITO MECANICO EM VEICULO

2.078

3.043

DEFEITO NA VIA

574

906

FALTA DE ATENÇÃO

11.211

14.592

DORMINDO

980

1.746

DISTANCIA DE SEGMENTO

3.458

2.754

OUTRAS CAUSAS

13.642

17.690

TOTAL

40.107

45.833

Fonte:DATATRAN/DPRF

 

Em se tratando das condições do tempo, - tabela 5 -, a maioria dos acidentes ocorreu com o tempo bom - 27.231 em 2004 e 28.920 em 2007. Quanto ao traçado da via, - tabela 6 -, ocorreram 25.291 acidentes ocorreram em pistas simples no ano de 2004 e 27.453 ocorreram em pista múltipla no ano de 2007. Do mesmo modo, a maioria dos acidentes em 2004 ocorreu em pleno dia - 21.695 acidentes - e no ano de 2007 a maioria dos acidentes ocorreu, também, em pleno dia, 25.381 acidentes - tabela 7.

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Tabela 7

FASE DO DIA - acidenstes c/ caminhões/veic carga - 2004


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Quanto ao traçado da via, 29.032 acidentes ocorreram em reta (tangente) no ano de 2004 e 32.826 em 2007 - tabela 8. Quanto ao sexo dos condutores, 67.526 eram do sexo masculino no ano de 2004 eram masculino e 74.529 no ano de 2007 – tabela 9 -. Do total dos condutores, 65.328 condutores (89%) usavam o cinto de segurança - tabela 10 -. Em 2007 o número de condutores que usavam cinto de segurança foi de 74.529. As faixas de tempo de horas dirigidas se estende de 1 até mais de 5 horas de tempo ao volante, tanto no ano de 2004 quanto no ano de 2007 - tabela 11.

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Relativamente ao tipo de veículos envolvidos - tabela 12 – 47.333 eram caminhões, 15.110 automóveis, 1.903 ônibus e microônibus, 527 reboques no ano de 2004. No ano de 2007 foram 55.698 caminhões envolvidos, 18.012 automóveis e 2.184 ônibus/ microônibus. Verificamos, assim, o elevado número de acidentes envolvendo veículos de grande porte.

Tabela 12

TIPOS DE VEÍCULOS
Acidente ônibus/microônibus - Rodovias Federais – 2004 - 2007

TIPOS DE VEICULOS

ANO 2004

ANO 2007

BICICLETA
MOTONETA
MOTOCICLETA
TRICICLO
AUTOMOVEL
CAMINHONETE
ÔNIBUS/MICROÔNIBUS
CAMINHÃO/CAVALO-MECÂNICO
REBOQUE/SEMI-REBOQUE
OUTROS

423
61
1.415
4
15.110
2.743
1.903
47.333
527
2.034

872

174

2.213

1

18.012

4.244

2.184

55.698

401

350

TOTAL

73.005

82.177

Fonte:DATATRAN/DPRF

Com relação à condição dos mortos, - tabela 13 -, o maior número no ano de 2004 foi o de condutores - 1.529, seguido de passageiros, 914. Em 2007 ocorreu a mesma tendência, foram 1.873 condutores e 963 passageiros. O número de pedestres atropelados e mortos em 2004 foi de 214 decorrentes de 515 atropelamentos. Em 2007, foram 279 pedestres mortos decorrentes de 630 atropelamentos.

Tabela 13

MORTOS - CONDIÇÃO - Acidente caminhões / veic carga - rodovias federais – 2004 - 2007

CONDIÇÃO MORTOS

ANO 2004

ANO 2007

CONDUTOR
PASSAGEIRO
PEDESTRE
OUTROS

1.529
914
214
9

1.873

963

279

9

TOTAL

2.666

3.124

Fonte:DATATRAN/DPRF

No ano de 2005, o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada - IPEA, publicou pesquisa sobre impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas rodovias brasileiras, verificando que um acidente de trânsito sem vítimas tem custo médio de R$ 16.840,00, um acidente com ferido tem custo médio de R$ 80.032,00 e um acidente com morte tem um custo médio de R$ 418.341,00 - tabela 14. Na hipótese de se aplicar esses valores aos acidentes de trânsito envolvendo caminhões e veículos de cargas nas rodovias federais no ano de 2004, teríamos custos de R$ 483.897.400,00; de R$ 751.580.512,00; e de R$ 828.733.521,00, para acidentes sem vítimas, acidentes com feridos e acidentes com morte, respectivamente, totalizando um montante de R$ 2.064.111.433,00 (dois bilhões, sessenta e quatro milhões, cento e onze mil e quatrocentos e trinta e três reais). Esses mesmos valores aplicados aos acidentes de trânsito envolvendo caminhões e veículos de cargas nas rodovias federais no ano de 2007, teríamos custos de R$ 530.577.880,00; de R$ 955.021.856,00; e de R$ 1.001.090.013,00, para acidentes sem vítimas, acidentes com feridos e acidentes com morte, respectivamente, totalizando um montante de R$ 2.486.689.749,00 (dois bilhões, quatrocentos e oitenta e seis milhões, seiscentos e oitenta e nove mil, setecentos e quarenta e nove reais). Podemos observar que do ano de 2004 comparado ao ano de 2007 houve um aumento de mais de 422 milhões de reais nos custos dos acidentes rodoviários, anualmente.

Tabela 14

Custo Médio de Acidente de Trânsito, por severidade, em rodovias brasileiras - Brasil - 2005

Tipo de Acidente

Custo Médio por acidente - em R$

Acidente sem vítima

16.840,00

Acidente com ferido

16.840,00

Acidente com morte

418.341,00

Fonte - IPEA - impactos sociais e econômicos dos acidentes de trânsito nas aglomerações urbanas brasileiras -2005

 

Diante dessas evidências, não se pode negar que os acidentes rodoviários envolvendo caminhões representam prejuízos significativos, tanto econômicos como sociais, para as pessoas, para as empresas transportadoras de passageiros, para o Estado e para a sociedade em geral. Os cálculos apresentados não levam em conta os prejuízos contabilizados com os danos às cargas transportadas. Tendo em vista os resultados deste estudo, recomenda-se a adoção de políticas e ações específicas para a redução de acidentes rodoviários envolvendo caminhões e veículos de carga, principalmente os acidentes com vítimas. Como sugestões e recomendações podemos indicar as seguintes medidas: a) capacitar os motoristas rodoviários de transporte de cargas quanto às normas de circulação; b) priorizar políticas para educação e orientação de pedestres, com cuidado especial para os indigentes e andarilhos que circulam em grande número às margens as rodovias; c) regulamentar a jornada de trabalho dos motoristas rodoviários, incluindo aí, motoristas de ônibus e de caminhões; d) normatizar a fiscalização da jornada de trabalho dos motoristas rodoviários do transporte de passageiros e de cargas; e) regulamentar e implementar curso profissionalizante para condutores de veículos de carga com currículo disciplinar adequado às necessidades da categoria f) garantir a proteção da faixa de domínio e das áreas lindeiras das rodovias no sentido de evitar a circulação de animais nas vias; g) manter em boas condições de trafegabilidade das rodovias, bem como da sinalização horizontal e vertical; h) conscientizar os proprietários, os condutores e demais usuários das vias sobre o perigo de transportar pessoas em veículos de carga.

 
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