Trânsito selvagem

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Esta rotina repete-se há anos, apesar das operações especiais de fiscalização e patrulhamento desfechadas pelas polícias rodoviárias federal e estadual durante esses períodos de intensa movimentação. Os acidentes com mortos e feridos, em geral, são contados às dezenas, e em sua absoluta maioria mais de 94% segundo as estatísticas oficiais têm como causa a imprudência dos motoristas. Nesses tempos recentes, também tem aumentado, significativamente, o número de acidentes provocados por falhas mecânicas em veículos que circulam sem as devidas e necessárias condições de conservação e manutenção. Trata-se de consequência de uma política de facilitação de crédito, que colocou ao alcance de pessoas de baixa renda a compra de um carro usado, que, depois, mal conseguem abastecer com seus parcos recursos, e também da falta de empenho do poder público em realizar as indispensáveis inspeções veiculares em nome da segurança no trânsito. Salta aos olhos de qualquer um o espantoso número de veículos decrépitos, sem as mínimas condições de tráfego, que hoje circulam em enxames pelas ruas e estradas do país.

O feriado espichado do Dia de Finados registrou sete mortes em acidentes de trânsito nas estradas catarinenses, um número bem inferior ao costumeiro nessas oportunidades. Vale o registro. Para comparação e exemplo, no último feriadão da Páscoa, foram 12 as vidas perdidas na carnificina do asfalto. Mas a queda do número ainda não configura uma tendência e pode ser atribuída mais ao acaso do que a mudanças positivas no trânsito insano, que coloca Santa Catarina no segundo lugar do ranking nacional de letalidade do setor em relação ao número de habitantes e ao tamanho da frotas de veículos em circulação. O Estado é também responsável por expressivo percentual das mais de 17 mil mortes anuais em ocorrências de trânsito que, no país, são associadas ao consumo de álcool, apesar da chamada Lei Seca.

Em resumo, o trânsito brasileiro, em geral, e o catarinense, em especial, caracterizam-se pela truculência e pelo desrespeito à vida. Impende civilizá-los. Para tanto, não bastam apenas as frequentes campanhas educativas. Estas poucos resultados práticos têm colhido. Há que aplicar as lei em toda a sua extensão e rigor, acabar com a impunidade, cancelar as carteiras de habilitação dos infratores contumazes e por aí afora. Enfim, é preciso um “choque de ordem” no nosso trânsito caótico e letal.

 
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