Você já foi flagrado por um pardal ou em uma barreira eletrônica? “Muitas vezes. Tenho quase R$ 2 mil em multas”, fala uma mulher. “Tenho uma multa. Eu passei no sinal vermelho”, conta a advogada Rosângela.
Essa é a média de multas por habitante, considerando a frota do Distrito Federal: 1,12 milhão carros. Mas há quem diga que nunca cometeu infração, mesmo com 270 fiscais eletrônicos espalhados pela cidade. “Sou cuidadoso”, diz um senhor.
O número de multas de pardais e barreiras eletrônicas ultrapassou um milhão este mês.
Foram quase 100 mil multas por mês; 80% delas por excesso de velocidade.
Nesse ritmo, o Detran não duvida que serão mais multas do que no ano passado. Mesmo assim, a velocidade média está caindo, o que, segundo o Detran, contribui para reduzir a gravidade dos acidentes.
“Mesmo com 300 mil veículos a mais, 250 mil condutores a mais, nós estamos trabalhando para que esse ano tenha novamente o menor número de mortes dos últimos 20 anos no DF”, afirma o gerente de fiscalização do Detran, Silvain Fonseca.
“Significa uma eficiência no sistema de fiscalização. É necessário, por outro lado, que haja investimento também na fiscalização com a presença do agente de trânsito”, diz o professor de Engenharia de Trânsito da Universidade de Brasília, Paulo César Marques.
“Eu estava no sinal e vi uma pessoa falando ao celular. Se tivesse a presença de um agente, ela não falaria ao telefone”, comenta o professor Carlos Alberto.
“Quando a gente avista um pardal, a gente reduz a velocidade na hora; mas logo em seguida tendemos a acelerar. Quando o agente está presente ficamos mais receosos”, fala o técnico em laboratório Rafael Silva.
Os números são impressionantes: o total de multas, de janeiro a outubro, foi de mais de 1,3 milhão. Média de 4.300 multas por dia.
Como o Detran gasta o dinheiro arrecadado das multas?
O Detran já arrecadou, em 2009, uma boa fortuna em multas. Mas para onde vai o dinheiro dos motoristas multados?
R$ 70 milhões em multas. “Sabe Deus aonde! Não se sabe pra onde foi esse dinheiro, pra onde vai. Se você rodar pela cidade, existem defeitos no asfalto há anos e não resolvem o problema”, reclama o escritor João Carlos Júnior.
“Dá pra fazer um trânsito melhor, porque está cada vez mais caótico nosso trânsito”, diz um senhor. “Dava pra fazer muita melhoria e evitar muitas mortes”, destaca um homem.
O Código Brasileiro de Trânsito determina que o dinheiro arrecadado com as multas só pode ser gasto na engenharia de trânsito, em educação e fiscalização. No Distrito Federal, este ano, 30% dos recursos não foram aplicados diretamente nessas três áreas.
R$ 35 milhões foram para a engenharia de trânsito, na sinalização. A educação recebeu R$ 9 milhões. Para a fiscalização, pouco mais de R$ 1 milhão. O Detran usou R$ 19 milhões
para pagar pessoal e despesas - com informatização, manutenção de viaturas e de prédios.
O analista de trânsito diz que faltam transparência e controle na aplicação dos recursos. E afirma - o dinheiro deveria ir, principalmente, para a fiscalização. “É dela que o sistema necessita e depende pra controlar a agressividade, a violência no trânsito. Faltando fiscalização, o motorista tem a sensação de impunidade”, explica o analista de trânsito Luiz Miúra.
Nas ruas, são pouco mais de 300 agentes. “Uma vez que você não tem uma quantidade adequada pra suprir a necessidade da cidade, você também implica em menos
investimentos nessa área”, afirma o presidente do Sindicato dos Servidores do Detran José Alves Bezerra.
O Detran respondeu que gastou muito mais em fiscalização do que aparece na prestação de contas. E comprou 37 novas viaturas, 30 bafômetros, coletes, cones e computadores. Que estarão na próxima prestação de contas.
| < Anterior | Próximo > |
|---|


