Celular ao volante uma combinação perigosa

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 Segundo estudos, conversar ao celular enquanto se dirige equivale a guiar bêbado. Pode-se acabar conduzindo o veículo mais devagar que o mínimo permitido, ou ultrapassar a velocidade compatível com o tráfego, que pode gerar a mesma punição. Outras situações que podem ocorrer por quem fala ao celular estando ao volante são: avançar o semáforo, ter dificuldade de mudar de marcha, demorar de frear e não observar as placas de sinalização. Circunstâncias bastante propícias para um acidente, como o que aconteceu com a artista plástica Verena Gouveia, 32 anos.

Presa num congestionamento, a artista plástica tentava avisar – via telefone celular – o motivo pelo qual chegaria atrasada ao trabalho quando,  em fração de um segundo, acabou batendo no veículo da frente. O prejuízo não foi alto, mas o tormento lhe rendeu um dia de serviço perdido e apurrinhações. “Foi tudo muito rápido, enquanto peguei o telefone e conversava não percebi que os carros da frente tinham freado”.

Assim como a artista plástica, milhares de outros motoristas tiram uma das mãos do volante para atender ao celular, e toda a atenção da via para procurarem o aparelho, dentro da bolsa ou em algum outro compartimento do veículo. Pensam que atender ao celular não acarreta maiores problemas e que vão desligar logo o aparelho, o que é um grande engano em muitos casos.

Quando a conversa fica mais empolgante, os infratores apenas abaixam o aparelho enquanto passam por um agente de trânsito, na intenção de não serem multados e em seguida voltam com os celulares aos ouvidos e retomam o papo do ponto onde pararam. Desta forma esquecem dos acidentes que tal prática pode provocar.

Na tentativa de driblar a lei, muitos utilizam os fones de ouvido para manter o papo em dias enquanto trafegam pelas ruas da capital baiana. Porém, a iniciativa também é condenada pelo CBT. Trafegando pelas ruas da capital baiana é comum se observar condutores falando ao celular, sentindo-se protegidos dos guardas pelos vidros escuros dos seus carros.

Enquanto esperam o semáforo abrir ou estão presos em congestionamentos, muitos motoristas pensam que podem ganhar tempo conversando ao celular. “Às vezes pego apenas para me distrair”, disse a assistente social Mariana Serra, 28 anos. A cada parada ela aproveita para dar recados, bater papo, ou mesmo marcar encontros com o namorado e amigas.

Dirigindo há mais de 20 anos, o funcionário público Marcos Silvério, 42 anos, se orgulha de nunca ter tido uma multa. “Dirijo na cidade e viajo semanalmente”, disse empolgado. Ele disse que não tem receita especial para não cometer infrações ao volante. “Basta seguir as leis de trânsito, o que a maioria das pessoas não faz”, afirma.

Outra prática que tira ainda mais a atenção do condutor é passar mensagens pelo celular enquanto dirige. O ato de pegar o aparelho e procurar as letras para serem digitadas é ainda mais grave do que se apenas conversasse ao telefone. Enquanto digita a pessoa perde cerca de cinco segundos do que vai à frente. Parece pouco, mas é tempo suficiente para cruzar em alta velocidade o espaço de um campo de futebol.

De acordo com a pesquisa, realizada por especialistas da RAC Foundation, que trabalha com segurança dos motoristas, em parceria com o Laboratório de Pesquisas do Trânsito (TRL - sigla em inglês), as reações dos motoristas chegam a ser 35% mais lentas quando dirigem enquanto lêem ou escrevem mensagens de texto no celular.

Já o controle ao volante cai 91% e a habilidade em manter distância dos outros veículos também é prejudicada. Na tentativa de manter uma comunicação mais barata muitas pessoas põem em risco não apenas a própria vida, mas também a de outras pessoas.

 
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