A cada 1 hora e 12 minutos um motorista foi flagrado dirigindo embriagado em Goiás no ano passado. O número de pessoas alcoolizadas ao volante chegou a 7.122 em todo o Estado, mais de 3 mil delas em Goiânia. No total, foram abertos no Estado 2,5 mil inquéritos contra motoristas bêbados, 294 deles na capital.
Os dados mostram que, apesar da lei seca, que entrou em vigor no dia 20 de junho de 2008, os motoristas continuam insistindo nos riscos de beber e dirigir. "É uma questão cultural que é difícil driblar. Por isso, o número de flagrantes é tão alto", reconhece a delegada Edilma de Freitas Gomes, titular da Delegacia de Investigação de Acidentes de Trânsito (Dict).
Um dos aspectos apontados por pessoas ligadas ao segmento de trânsito para justificar o número alto é o fato de os motoristas confiarem na impunidade. "O motorista se arrisca porque acredita que nunca vai ser pego em flagrante. Ele pensa que isso é história que só acontece com os outros. É preciso investir em mais fiscalização", afirma o presidente do Conselho Estadual de Trânsito de Goiás (Cetran), Antenor Pinheiro.
O psicólogo especialista em trânsito Rosival Lagares também tem opinião nesse sentido. "Se a pessoa continua bebendo e dirigindo é porque acredita que não há fiscalização nas ruas para coibir essa combinação perigosa. O motorista só vai mudar o comportamento se passar a ser cobrado de fato sobre isso. E hoje não vemos fiscalização suficiente nas ruas", argumenta.
O psicólogo, que também é professor da Pontifícia Universidade Católica de Goiás (PUC-GO), argumenta que se houvesse uma ação efetiva contra a combinação de álcool e direção, os resultados seriam muito melhores. "Todo mundo sabe onde existem bares em Goiânia, onde estão as festas em que as pessoas bebem. Então bastava fazer ações direcionadas que daria resultado", diz.
O chefe da comunicação social da Polícia Rodoviária Federal (PRF), Newton Morais Souza, entende que é preocupante o fato do rigor ter aumentado desde o início da vigência da lei seca e dos números de flagrantes não diminuirem. "Estamos mais rigorosos. Temos mais de 60 etilômetros disponíveis para ações. As pessoas sabem do risco e continuam dirigindo embriagadas nas rodovias. Os números confirmam isso. É uma situação que precisa mudar", diz. De domingo até ontem, por exemplo, foram 20 motoristas flagrados
nas BRs. Segundo dados da PRF, de cada 100 notificações por álcool na direção, cerca de 70 levam os motoristas para a prisão. Estes casos são aqueles com índices mais altos de álcool expelido pelo pulmão (acima de 0,3 miligramas de álcool por litro de ar expelido pelos pulmões). "Eu diria que não existe nenhuma blitz feita hoje que não flagre sequer um motorista bêbado", argumenta Newton Morais.
Fiscalização
No entanto, da parte do poder público, a justificativa para o aumento no número de multas e inquéritos é justamente um possível aumento na fiscalização. "Existe fiscalização. Tanto que as multas têm crescido. Mas, da nossa parte, acreditamos que em primeiro lugar é preciso investir na educação, para que possa existir uma mudança cultural. E isso não acontece do dia para a noite", justifica o presidente da Agência Municipal de Trânsito de Goiânia (AMT), Miguel Tiago da Silva
O diretor técnico do Departamento Estadual de Trânsito de Goiás (DETRAN), Horácio Mello Cunha dos Santos, lembra que nos últimos anos o número de bafômetros aumentou mais de dez vezes. "Temos hoje mais equipamentos para trabalhar, para fiscalizar a proibição do álcool ao volante. Então isso aumenta o poder de combate", justifica.
O psicólogo Saturnino Ramon, ex-diretor do Instituto de Pós-Graduação em Psicologia do Trânsito, entende que a lei seca está sendo positiva e que, a longo prazo, vai trazer bons resultados. "A mudança ocorre aos poucos. Hoje a gente já vê pessoas que deixam de beber ou que bebem e pedem para outro dirigir. Aos poucos essa prática vai se tornar ainda mais comum", avalia.
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