Perigo 85% maior em duas rodas

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O estudo do Detran indica que motociclistas se envolveram em 404 acidentes com morte no ano passado, o que representa uma taxa de 4,8 ocorrências para cada grupo de 10 mil veículos. No mesmo período, houve 677 casos de acidentes fatais envolvendo carros, em uma taxa de 2,6 para 10 mil. Essa comparação indica que o risco de tragédia sobre uma moto é 85% maior do que no interior de um automóvel.

A chamada taxa de acidentalidade se manteve praticamente estável na comparação com o ano anterior, quando ficou em 4,9 para as motocicletas. O que assombra especialistas em segurança viária é que, além de esse índice seguir em um patamar muito elevado, a frota de motos circulando não para de crescer – embora a um ritmo um pouco mais lento em relação ao início da década (veja quadro ao lado). Com isso, a tendência é de que o número absoluto de casos aumente caso não se encontrem meios eficientes de reduzir a violência no trânsito.

Em um período de apenas seis anos, entre 2003 e o ano passado, a quantidade de motocicletas dobrou no Estado, passando de 433 mil para 870 mil – o que representa 19,7% da frota total. No mesmo período, o avanço da frota total ficou em 44% e alcançou 4,4 milhões de veículos. A corrida em busca de preços mais baixos, economia de combustível e agilidade no trânsito, porém, continua sendo interrompida por um alto índice de acidentes com morte em ruas, avenidas e rodovias.

– A moto é mais frágil e expõe o condutor a mais riscos do que um carro. Por isso, esse condutor nos preocupa – afirma o diretor-presidente do Detran, Sérgio Filomena.

“A culpa não é da moto, é da imprudência”

O presidente da Associação dos Motociclistas do Estado, Leandro Balardin, tem dupla motivação para lutar pela pacificação do trânsito sobre duas rodas. Além de representar os condutores, ele perdeu sua única filha em um acidente de moto há menos de um mês.

Na noite do dia 12, Vera Emanuelli Balardin, 16 anos (foto), circulava pelas ruas de Cachoeira do Sul na carona de uma motocicleta conduzida por seu namorado. Ao baterem contra um automóvel que fazia uma conversão, Vera foi lançada para o alto e caiu de cabeça no asfalto. A adolescente fazia um curso técnico de enfermagem e sonhava em fazer uma faculdade na área. Ontem, ele conversou com Zero Hora:

Zero Hora – Como foi o acidente com sua filha?

Leandro Balardin – Ela vinha na carona da moto, pilotada pelo namorado. Eles haviam recém passado por uma lombada eletrônica, mas tiveram a frente cortada por um veículo. A moto é um veículo frágil, e vivemos a cultura de que os menores se ralam no trânsito diário. Sinto-me dolorido porque, no final de semana, lançamos o manual do carona e morreu mais um de moto em Cachoeira do Sul.

ZH – O senhor não pensou em abandonar o motociclismo?

Balardin – Pretendo me engajar ainda mais. Sou presidente da associação desde 2002, já realizamos sete congressos, seminários, palestras. Quero fazer isso para ajudar cada vez mais.

ZH – Sua filha usava os equipamentos certos, como capacete?

Balardin – Não sei se o capacete era o adequado. Estou triste, mas temos de respeitar a vontade de Deus.

ZH – Há capacetes que não são adequados?

Balardin – Tem capacetes mais baratos, que custam R$ 50 ou são dados quando se compra uma moto, que racham no primeiro impacto.

ZH – Que mensagem o senhor daria para outros pais?

Balardin – Que tenham a ciência de que os seus filhos têm de estar bem equipados. Não adianta ter a melhor moto sem o melhor equipamento de segurança. Um bom capacete, bom protetor de ombro, cotoveleira, bota, porque pés e pernas são os primeiros alvos afetados. Por mais que vá apenas dar uma volta, tem de usar o equipamento. Uma fechada no trânsito pode deixar sequela para o resto da vida.

ZH – O senhor se arrependeu de tê-la deixado andar de moto?

Balardin – Eu sou um apaixonado por moto, não dava para tolher. Eu mesmo continuo andando e vou andar sempre. A culpa não é da moto, do objeto, é da imprudência, da negligência. Há diversos motociclistas conscientes, como há um percentual intolerante. Infelizmente, como há péssimos taxistas, motoristas de carro, há o péssimo motociclista.

ZH – Como mudar a situação?

Balardin – É urgente intensificar as campanhas, porque a frota de motos deverá chegar a 1 milhão até o final do ano.

 
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