Minas é recordista em desastres com caminhões

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Na pesquisa, encomendada pela Federação das Empresas de Transportes de Carga do Estado de Minas Gerais (Fetcemg), Minas também lidera em quantidade de mortos e feridos nos acidentes com caminhões, com 22% do total. São Paulo aparece com 17%, Paraná, com 10% e Bahia, com 9%. Os números absolutos não foram divulgados. Os 306 quilômetros cheios de curvas da BR-381, entre Belo Horizonte e Governador Valadares, no Vale do Rio Doce, trecho conhecido como Rodovia da Morte, não são o percurso mais crítico do estado. Segundo a pesquisa, as saídas de pista, capotamentos e colisões de veículos de carga ocorrem com mais frequência em 204 quilômetros no sentido oposto da BR-381 (Fernão Dias), entre Oliveira, na Região Centro-Oeste, e Pouso Alegre, no Sul do estado. Embora seja duplicado, o traçado é bastante sinuoso e tem a neblina como agravante. “Por dia, temos o registro de dois a três acidentes com caminhões em Minas, estado onde os eventos mais acontecem e, quando ocorrem, morre mais gente”, afirmou Dárcio Centoducato, diretor da GPS Pamcary, empresa de São Paulo com 44 anos de experiência em gerenciamento de riscos.

Os resultados serão apresentados em um evento que a federação e o instituto promoverão em Belo Horizonte, terça-feira. Segundo o presidente da entidade, Vander Francisco Costa, foram convidados representantes do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), Departamento de Estradas de Rodagem de Minas Gerais (DER-MG), polícias rodoviárias Federal e Estadual e entidades civis que lidam com as questões do trânsito.

Na ocasião, será lançado o Pacto Rodoviário Mineiro, com o objetivo de tirar Minas da incômoda posição de recordista da violência no trânsito. “É um problema que vivemos há muito tempo, sempre com a justificativa de que o estado tem a maior malha rodoviária federal (7,5 mil quilômetros), relevo sinuoso e estradas ruins. Depois da divulgação dessa pesquisa, que foi feita com base científica, cada um de nós será convocado a fazer sua parte”, disse o presidente da Fetcemg.

Dárcio Centoducato ressalta que o relevo mineiro é apenas um dos fatores que agravam os acidentes com caminhões. “Os motoristas fadigados, com prazo curto de entrega, em veículos com 20 anos de uso em média, imprimem velocidade incompatível com o trecho sinuoso. Os tombamentos e capotagens têm efeitos tão devastadores quando as colisões e abalroamentos”, disse. O especialista em trânsito, transporte e assuntos urbanos José Aparecido Ribeiro, presidente da ONG SOS Rodovias Federais de Minas, destaca que, por ser duplicado, o trecho da Fernão Dias entre Oliveira e Pouso Alegre é um convite à velocidade. “O traçado é sinuoso e é comum os motoristas colidirem contra obstáculos fixos, como árvores, depois de capotar.”

Na força-tarefa proposta pela Fetcemg, será sugerida mudança de traçado em algumas rodovias, maior fiscalização, cursos de capacitação de motoristas e investimento em tecnologia para os caminhões. O presidente da Federação das Empresas de Transporte de Passageiros de Minas (Fetran), Waldemar Araújo, coordenador do programa de redução de acidentes Pare-MG e conselheiro da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), aplaude a iniciativa. “Essa união levará a resultados mais significativos.”

 
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