Fiscalização leniente

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"Levantamento de pesquisadores da UFRGS indica que mais da metade dos frequentadores de bares de Porto Alegre admite dirigir depois de beber, principalmente devido à falta de fiscalização. O afrouxamento do controle policial está levando ao fracasso um dos maiores avanços da legislação de trânsito no país, que foi a implementação da chamada Lei Seca, em 2008. Nas primeiras semanas de vigência dessa lei, com a presença de severa fiscalização, ocorreu em Porto Alegre e em todo o país uma redução drástica de motoristas no volante depois de terem ingerido bebidas alcoólicas. Parecia estar em curso uma espécie de mudança cultural, tal a revolução dos hábitos que as novas disposições desencadearam. Pois quando tais efeitos estavam em expansão, por uma estranha e surpreendente leniência, a fiscalização deixou de se fazer presente. Aos poucos, os excessos voltaram a ocorrer. Segundo a reportagem de ontem deste jornal, 51% dos frequentadores de bar entrevistados se dispunham a dirigir mesmo depois de beber.

Apesar dessa situação, é inegável que a Lei Seca foi um avanço na legislação de trânsito, que ainda mantém efeitos positivos sobre o comportamento de parte significativa dos motoristas. Tendo o compromisso de dirigir, muitas pessoas simplesmente abstêm-se de beber, o que por si só representa uma mudança a ser observada e incentivada. O exemplo das primeiras semanas de vigência da lei foi especialmente ilustrativo. A retomada da fiscalização, acompanhada de campanhas de conscientização, pode fazer com que se amplie o compromisso de motoristas e sua responsabilidade familiar e social. É preciso quebrar a tendência de considerar que a Lei Seca é positiva e necessária apenas para os outros, não para si mesmo, como alertou o psiquiatra e professor da UFRGS Flávio Pechansky.

A Lei Seca está em vigor. É um dever da sociedade torná-la amplamente eficaz, a começar pela singela decisão de reativar a fiscalização".

 
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