Os ferimentos em Maria Consuelo ocorreram no antebraço, pulso e mão esquerda, após o acionamento do airbag do carro devido a uma colisão leve com outro carro, segundo a advogada Ivanise Tratz. Ela relata ainda que testemunhas que passavam pelo local viram fogo no interior do veículo e bateram no vidro até que Maria Consuelo recobrou a consciência e conseguiu abrir a porta. Foi quando se deu conta de que os braços estavam enegrecidos pela queimadura e doloridos.
Conforme perícia realizada pelo Lactec — Instituto de Tecnologia para o Desenvolvimento, a motorista foi submetida a temperaturas acima de 250º C no volante, depois de inflado o equipamento.
Em sua defesa no processo, a concessionária da Honda Nipon Sul argumenta que não foi detectada qualquer anomalia no funcionamento do airbag e que as lesões foram provocadas por abrasão – “atrito do equipamento disparado em alta velocidade”. O MP do Paraná exige que seja realizado recall para troca do equipamento dos modelos New Civic 2007, fabricação 2006.
Recall — A ação coletiva foi enviada à 9ª Vara Cível de Curitiba poucos meses antes do recall realizado pela montadora em fevereiro deste ano nos EUA, justamente para troca de airbags de três modelos de veículos — entre eles o Civic, com fabricação em 2001 e 2002. A empresa constatou, até julho de 2009, 12 casos em que o dispositivo se rompeu depois de acionado. No entanto, a convocação não atingiu o Brasil. Para o recall, foram chamados os proprietários de mais de 378 mil veículos, fora os 444 mil convocados no ano passado.
Procurada pela reportagem, via assessoria de imprensa, até o fechamento desta edição, a Honda Nipon Sul não retornou. Ainda segundo a advogada de Maria Consuelo, a Honda enviou uma carta informando que o airbag não apresentou falha nenhuma. A família calcula ter gasto R$ 100 mil, entre o valor do veículo, que precisou ficar na concessionária, as cirurgias plásticas de reconstituição da pele e corridas de táxi.
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