A controvérsia veio à tona a partir da repercussão de uma pesquisa desenvolvida pelo Núcleo de Estudos e Pesquisa em Trânsito e Álcool (Nepta), da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), divulgada ontem em Zero Hora. Conforme o levantamento, mais da metade dos motoristas que bebem e frequentam bares em Porto Alegre admitem voltar para casa dirigindo. Em contrapartida, 63% deles garantiram ser favoráveis à Lei Seca, lançada em 2008.
Para os pesquisadores, a explicação para a incongruência estaria na fiscalização deficiente. Tanto que apenas 9,2% dos 1.070 entrevistados pela equipe do psiquiatra Flavio Pechansky relataram ter sido parados para fazer bafômetro.
Secretário Estadual da Segurança Pública à época do lançamento das novas regras, José Francisco Mallmann também lamentou os rumos da lei de tolerância zero ao álcool no Estado. De Brasília, onde atua na Secretaria Nacional de Justiça, Mallmann alfinetou o governo gaúcho:
– A luta contra o álcool era minha bandeira pessoal. Quando saí da Secretaria, as operações pararam.
A crítica incomodou o subcomandante-geral da Brigada Militar, coronel Jones Calixtrato dos Santos. Contrariado, o militar disse que as operações criadas por Mallmann continuam ocorrendo.
– A diferença é que agora a mídia não tem mais interesse, então as pessoas acham que as ações pararam.
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