Radares tornam-se ferramentas de educação

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“Esses motoristas que estão mais despreparados, que não estão obedecendo à sinalização é que precisam das lombadas eletrônicas, é que precisam da fiscalização rígida que pune os maus motoristas”, argumenta Humberto Gomes, superintendente da rodovia.

Um levantamento feito pela Polícia Rodoviária Federal em estradas de todo o país revelou que 62% dos acidentes acontecem de dia; 69%, em retas; e 79%, com tempo bom. O mesmo estudo mostrou que as causas mais frequentes são a falta de atenção e o excesso de velocidade que os radares combatem.

Na Via Dutra, entre o Rio de Janeiro e São Paulo, depois da instalação de radares, o número de acidentes caiu 14%. O de mortes, quase 65%. Na Rodovia Anchieta, que liga São Paulo ao litoral do estado, a redução foi maior ainda.

Descida de serra, pista estreita, curva perigosa com fiscalização eletrônica bem sinalizada. E com tudo isso, alguns motoristas ainda são multados. Acontecem acidentes por excesso de velocidade num dos trechos da Rodovia Anchieta em São Paulo. Isso mostra que uma estrada boa e bem sinalizada não é suficiente quando falta educação ao volante.

As estradas brasileiras têm muita fiscalização porque os motoristas não respeitam a lei e precisam ser punidos, na opinião do engenheiro de tráfego Humberto Pullin.

“O radar é o agente de trânsito que trabalha 24 horas, no fim de semana, à noite e de dia e não reclama. Então, ele é necessário enquanto o motorista for mal educado”, avalia Pullin.

Entre 2001 e 2006, o Funcet, fundo criado pelo governo federal para financiar ações voltadas ao trânsito, acumulou quase R$ 110 milhões. Dinheiro que poderia ter sido usado em campanhas de educação no trânsito, mas que nunca saiu do cofre. Quando os excessos forem reduzidos, os radares não vão provocar tantas reclamações.

 
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