O motorista da D-20 diz que não teve culpa, mas o fato de estar com excesso de álcool no organismo, comprovado pelo exame de teor alcoólico, já caracteriza que assumiu o risco de matar. Quem dirige depois de beber está colocando em risco a própria vida e a de terceiros, porque sabidamente o álcool compromete os reflexos dos motoristas.
Na contabilidade macabra de 2010, somam-se mais de 500 mortos no trânsito – não incluídos os que morreram dias depois, pelas sequelas do acidente, e ficam fora das estatísticas. Há ainda os feridos que carregarão para sempre as marcas da irresponsabilidade de condutores ou da omissão do poder público, que também tem sua parte nos acidentes ao não fiscalizar o excesso de velocidade e o uso do álcool, ao não conservar direito as estradas ou ao não cuidar da sinalização.
A pergunta que se impõe diante da mortandade diária em acidentes é: como acabar com a impunidade no trânsito? A certeza de que não haverá castigo rigoroso faz com que poucos respeitem os limites de velocidade e a lei que proíbe dirigir depois de ingerir álcool.
Leis para tornar o trânsito mais civilizado não faltam. O problema é a fiscalização deficitária. Pode o Rio Grande do Sul estar há tanto tempo com os pardais desligados, enquanto corre a passos de tartaruga a licitação para os novos controladores de velocidade? E por que ninguém mais dá bola para a Lei Seca? Simplesmente porque o afrouxamento da fiscalização reduziu a percepção de risco de multa, e a maioria dos motoristas acha que um copo a mais não faz mal.
Fiscalizar é tarefa dos governos. Como é tarefa dos governos usar o dinheiro das multas em campanhas de educação para o trânsito. Se não o fazem, estão sendo coniventes com a carnificina que faz de quem anda pelas ruas e estradas uma vítima em potencial dos motoristas irresponsáveis.
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