Desde 29 de março do ano passado, quando entrou em vigor no Rio de Janeiro, a Operação Lei Seca virou um case de sucesso Brasil afora. Diferentemente de outros Estados, a cidade mantém fiscalização permanente, e poucos se arriscam a beber e dirigir. Um dos idealizadores do projeto, ex-subsecretário de Estado do Rio, Carlos Alberto Lopes, 64 anos, conversou ontem por telefone com ZH. Ele contou como funciona o esquema montado no principal cartão-postal do país. Confira a seguir trechos da entrevista.
Zero Hora – No Rio Grande do Sul, apesar da Lei Seca, os acidentes com morte aumentaram. Qual é o segredo do sucesso no Rio?
Carlos Alberto Lopes – Não foi só no Rio Grande que não deu certo. Em todos os Estados, depois que a lei entrou em vigor, os índices caíram, mas não se mantiveram. No Rio, fizemos diferente. Criamos uma política pública permanente, chamada Operação Lei Seca, depois de quatro meses de estudo.
ZH – Como funciona?
Lopes – Tem dois focos, a fiscalização e a conscientização, que é feita por 30 cadeirantes. Eles foram vítimas de acidentes e agora visitam bares e boates para contar sua história. Fora isso, temos sete equipes com 140 pessoas e 35 etilômetros. Entre elas temos policiais militares que tiveram suas fichas examinadas uma a uma. Aqui não tem carteiraço nem suborno. Ao todo, a operação custa R$ 4 milhões, bancados pelo Detran-RJ. Fazemos operação todo dia.
ZH – Que resultados vocês conseguiram?
Lopes – Em 13 meses, evitamos que 5.037 pessoas deixassem de ser vitimadas no trânsito. Abordamos mais de 220 mil pessoas, multamos mais de 40 mil, apreendemos mais de 20 mil habilitações e fizemos 200 mil testes de bafômetro. Conseguimos que as pessoas mudassem de comportamento. Um exemplo disso são os 38 mil taxistas do Rio, que aumentaram o faturamento em 30%. As pessoas preferem ir para casa de táxi a se arriscar.
ZH – Que conselho o senhor dá aos gaúchos para que consigam reverter o problema no trânsito?
Lopes – A primeira coisa é vontade política e coragem para enfrentar a barra. É água mole em pedra dura. E não adianta nada fazer ações esporádicas, porque não funcionam. Aqui, todo dia tem operações, sempre em locais diferentes, e voltadas especificamente para esse fim.
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