Violência nas estradas de SP bate recorde

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Dizer apenas que tudo voltou ao que era seria otimista porque a quantidade de feridos e de acidentes passou a ser a maior no mínimo desde 2003 (dados mensais de antes não estavam disponíveis) e a de mortos, desde 2005.

O número de vítimas que morreram nas rodovias estaduais paulistas de janeiro a abril saltou 20% em relação ao mesmo período do ano passado. O de feridos, mais de 10%. O de acidentes, 16%.

Na prática, significa um aumento de 32 acidentes, 11 vítimas e um morto por dia.

Os especialistas reconhecem que a economia aquecida e a elevação da frota -que subiu 5,5% no Estado em um ano- contribuem para que mais carros, motos e caminhões peguem a estrada e fiquem sujeitos a batidas.

Mas isso está longe de explicar a piora da violência nas rodovias, às vésperas do aniversário de segundo ano da lei seca. A Polícia Rodoviária Federal reconhece que essa tendência é nacional.

As hipóteses citadas envolvem uma soma de fatores que vão do afrouxamento da fiscalização à difusão de motos nas estradas e de motoristas novos, inexperientes.

FISCALIZAÇÃO

Há sinais de relaxamento da lei seca, mas também é consenso entre técnicos que combater os embriagados é só um passo, não a panaceia. Velocidade e sonolência também são agravantes.

Dados históricos indicam que a principal culpa de acidentes é dos motoristas, por imperícia ou imprudência.

Mas a quantidade de multas neste ano nas estradas de São Paulo caiu 21%. O Estado não explica a queda, mas afirma que ao menos a fiscalização eletrônica não diminuiu -são 269 radares, contra 221 no ano anterior.

Já as operações de controle da embriaguez pela Polícia Rodoviária Estadual despencaram da média de quase 450 para menos de 200 por mês.

A versão oficial é de que a polícia redirecionou seu trabalho para outras ações de fiscalização porque houve "maior conscientização" sobre álcool ao volante, com uma queda de 50% de bêbados envolvidos em acidentes.

"A figura do policial atuante desapareceu", afirma José Alex Sant'anna, doutor em engenharia de transportes pela USP. Ele considera que os radares já não amedrontam -porque, com a exigência de placas para avisar onde eles estão, "os motoristas correm à vontade".

Uma lei sancionada há quatro anos pelo governo federal abrandou as multas por excesso de velocidade, um incentivo para essa infração de trânsito.

Na prática, numa estrada com limite de 120 km/h, só quem está a mais de 180 km/ h recebe a multa mais pesada, de R$ 574, e tem a CNH suspensa. Antes, a 145 km/h ele já recebia essa punição.

Colisão frontal é acidente mais comum

Os choques de veículos contra estruturas fixas, como pontes e defensas metálicas, representam quase um terço dos acidentes nas rodovias estaduais de São Paulo.

Trata-se do tipo mais comum de ocorrência, seguido das colisões traseiras/frontais e colisões laterais/transversais - com 20% cada.

Esse cenário é citado pela Secretaria de Estado dos Transportes como um indicador de que a maioria dos acidentes não está relacionada às condições das estradas, mas à imprudência de motoristas ou defeito do veículo.

Especialistas concordam que fatores como abuso de velocidade e sonolência estão mais presentes nesse tipo de batida. Nem por isso deixam de citar que há falhas geométricas em rodovias.

Um estudo de Sergio Ejzenberg, mestre em engenharia de transportes pela USP, por exemplo, já indicou que os próprios manuais de projetos para a construção de curvas ignoram fatores que levam ao tombamento lateral de caminhões e ônibus.

Em números brutos, os carros são os que mais se acidentam nas estradas, seguidos pelos caminhões. Porém as maiores vítimas são os motociclistas e pedestres -envolvidos em 52% do total dos acidentes em que há feridos.

O governo do Estado afirma que "para a redução de acidentes" desenvolve "campanhas de conscientização com temas específicos, como alcoolemia, direção defensiva, de prevenção de atropelamentos de cuidados com a mecânica do carro".

Diz também que tem investido na construção de muretas e telas de proteção para evitar a passagem de pessoas de um lado ao outro da rodovia e na construção de passarelas -47 desde 2008.

A partir da redução do número de acidentes com motoristas sob efeito de álcool, a interpretação do Estado é de que os usuários estão mais conscientes após a lei seca. Assim, indica que a elevação dos acidentes neste ano se deve a outros fatores.

Ele diz que, de janeiro a maio, os condutores alcoolizados envolvidos em acidentes com vítimas, por exemplo, caíram de 325 para 171. A fiscalização, porém, é considerada insuficiente por especialistas. "Pelo que a Organização Mundial da Saúde preconiza, 1/3 dos condutores teria que passar por controle da alcoolemia em um ano. Estamos muito longe", diz José Montal, da Abramet (associação de medicina do tráfego).

 
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