'Lei Seca' reduz em 6,2% as mortes causadas pelo trânsito

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No que se refere à mortalidade, os resultados mostraram redução no número absoluto dos óbitos em 17 estados com destaque para Rio de Janeiro, com 32% de redução, Espírito Santo (-18,6%), Alagoas (-15,8%), Distrito Federal (-15,1%), Santa Catarina (-11,2%), Bahia (-6,1%), São Paulo (-6,5%), e Paraná (-5,9%). Os dados de mortalidade para 2008-2009 são preliminares e sujeitos a revisão.

“Houve tendência de redução no número de pessoas que dizem beber e dirigir, mas essa redução é lenta. Temos que usar a lei com todo vigor, com presença na rua, educação, prevenção, multa. Só assim vamos conseguir construir uma nova consciência nos motoristas, de que bebida e direção não combinam”, disse o ministro da Saúde, José Gomes Temporão.

Outro indicador analisado pelo Ministério da Saúde foi a taxa de mortalidade, que é o risco de morrer de acidentes de trânsito no Brasil. A taxa é calculada pela divisão do número de óbitos no trânsito em cada grupo de 100 mil habitantes. Nesse indicador, o país registra redução de 7,4% no ano posterior à “Lei Seca” em comparação ano anterior à Lei. A taxa caiu de 18,7 mortes por 100 mil habitantes para 17,3 por 100 mil habitantes.

As reduções estatisticamente significativas na taxa de mortalidade foram registradas no Rio de Janeiro (-32,5%), Espírito Santo (-18,4%), Distrito Federal (-17,4%), Alagoas (-17%), Santa Catarina (-12,5%), Bahia (-8,6%), Paraná (-7,7%) e São Paulo (-7%). “A redução na taxa de mortalidade provocada pelo trânsito mostra que a lei vem protegendo a vida. Medidas legislativas como o Código de Trânsito Brasileiro e as alterações promovidas pela ‘Lei Seca’ têm sido muito importantes para a prevenção dos acidentes de transporte terrestre. No entanto há necessidade de reforçar as ações nos estados que não tiveram redução significativa”, afirma Otaliba Libanio, diretor do Departamento de Análise de Situação de Saúde.

ÁLCOOL E DIREÇÃO – A frequência de pessoas que dirigem após consumo abusivo de álcool passou de 2,1%, em 2007 (ano anterior a lei Seca), para 1,4%, em 2008 (ano de publicação da Lei); e aumentou para 1,7%, em 2009, segundo dados do Vigitel, inquérito telefônico do Ministério da Saúde que monitora os fatores de risco para doenças e agravos à saúde da população. Embora tenha sofrido um aumento em 2009, esse índice se mantém inferior ao apontado pela pesquisa em 2007, antes da “Lei Seca”, o que reforça a importância de manter as ações de prevenção e fiscalização no trânsito.

Segundo o levantamento, o comportamento de risco é maior entre homens. em 2007, o percentual de homens que disseram ter dirigido após consumo abusivo de álcool era de 4,1%. O índice caiu para 2,8%, em 2008 (ano da “Lei Seca”), e aumentou para 3,3%, em 2009 (ano posterior à “Lei Seca”). Nas Capitais, os maiores percentuais entre os homens foram registrados em Aracaju (8,7%), Teresina (5,9%) e Rio Branco (5,5%). As mulheres, por outro lado, apresentam frequência bastante abaixo da registrada pelos homens, mantendo-se estável desde nos últimos três anos, variando entre 0,2% e 0,3%.

A pesquisa revela, ainda, que os adultos de 25 a 34 anos (2,1%) e de 35 a 44 anos (2%) são os que mais conduzem após beber, enquanto que, entre os jovens de 18 a 24 anos, esse índice é de 1,8%. Vale lembrar que, no Brasil, motoristas flagrados excedendo o limite de 0,2 gramas de álcool por litro de sangue estão sujeitos a multa de R$ 957, perda da carteira de motorista por um ano e ainda podem ter o carro apreendido. Além disso, medida acima de 0,6 gramas de álcool por litro de sangue é considerado crime e pode levar à prisão.

INDICADORES – Para chegar aos resultados do impacto da “Lei Seca” nas mortes associadas ao trânsito, o Ministério da Saúde usou como base os dados dos Sistemas de Informações sobre Mortalidade (SIM), além do Inquérito Nacional de Fatores de Risco e Proteção para Doenças e Agravos não Transmissíveis (Vigitel). Essas são as fontes que vêm sendo utilizadas para monitorar o impacto da “Lei Seca” nos atendimentos do SUS e na ocorrência de óbitos no Brasil. Os dados do SIM dos anos de 2008 e 2009 são preliminares e sujeitos a revisão pelos Estados.

GRÁFICOS E TABELAS
Tabela 1 – Distribuição dos óbitos por doze meses antes e doze meses após a implantação da “Lei Seca” segundo regiões e Unidades Federadas. Brasil, 2007-2009.

 

UF/Região
2sem2007 / 1sem2008
2sem2008 / 1sem2009*
Var%
BRASIL
37.161
34.859
-6,2
NORTE
2.496
2.560
2,6
Rondônia
376
416
10,6
Acre
113
103
-8,8
Amazonas
353
371
5,1
Roraima
129
126
-2,3
Para
1.018
1.061
4,2
Amapá
87
93
6,9
Tocantins
420
390
-7,1
NORDESTE
8.943
8.697
-2,8
Maranhão
1.105
1.157
4,7
Piauí
721
687
-4,7
Ceará
1.614
1.552
-3,8
R G do Norte
455
449
-1,3
Paraíba
737
785
6,5
Pernambuco
1.380
1.318
-4,5
Alagoas
689
580
-15,8
Sergipe
418
456
9,1
Bahia
1.824
1.713
-6,1
SUDESTE
14.724
13.162
-10,6
Minas Gerais
3.781
3.621
-4,2
Espírito Santo
1.125
916
-18,6
Rio de Janeiro
2.169
1.475
-32,0
São Paulo
7.649
7.150
-6,5
SUL
7.327
6.781
-7,5
Paraná
3.267
3.075
-5,9
Santa Catarina
1.970
1.750
-11,2
R G do Sul
2.090
1.956
-6,4
CENTRO-OESTE
3.671
3.659
-0,3
M Grosso do Sul
698
702
0,6
Mato Grosso
885
910
2,8
Goiás
1.507
1.554
3,1
Distrito Federal
581
493
-15,1
Fonte: SIM/SVS/MS
(*) Dados Preliminares
Tabela 2 – Taxa padronizada de mortalidade (por 100 mil habitantes) por Acidentes de Transporte Terrestre (TPM-ATT), variação percentual doze meses antes e doze meses após a implantação da "Lei Seca" segundo Estados e Distrito Federal. Brasil, 2007-2009.
Estados
Antes
Depois
Variação %
Tx pad
Tx pad
Brasil
18,7
17,3
-7,4
Rondônia
25,4
27,9
10
Acre
17,9
16
-10,4
Amazonas
11,1
11,7
5,5
Roraima
34,3
34
-1
Pará
14,5
14,8
2
Amapá
16,5
17,4
5,6
Tocantins
32,2
30,3
-6
Maranhão
18,4
19
3,8
Piauí
23,3
21,9
-6,2
Ceará
19,1
18
-5,9
Rio Grande do Norte
14,3
13,8
-3,6
Paraíba
19,4
20,2
4,1
Pernambuco
15,3
14,4
-5,9
Alagoas
22,8
18,9
-17
Sergipe
20,7
22,5
8,6
Bahia
12,4
11,3
-8,6
Minas Gerais
17,9
16,9
-5,8
Espírito Santo
30,3
24,8
-18,4
Rio de Janeiro
12,7
8,5
-32,5
São Paulo
17,2
16
-7
Paraná
29,2
27
-7,7
Santa Catarina
30,8
26,9
-12,5
Rio Grande do Sul
17,6
16,3
-7,3
Mato Grosso do Sul
28,7
28,7
0,1
Mato Grosso
46,2
46,3
0,1
Goiás
39,6
40,2
1,4
Distrito Federal
21,8
18
-17,4

Fonte: SIM/SVS/MS e IBGE.

Tabela 3 – Percentual de adultos (≥ 18 anos) que, nos últimos 30 dias, em pelo menos uma ocasião, conduziram veículos motorizados após consumo abusivo de bebida alcoólica, por sexo, segundo as capitais dos estados brasileiros e DF. VIGITEL, 2009.

CAPITAIS
TOTAL
MASC
FEM
%
%
%
Aracaju
4,0
8,7
0,0
Belém
0,8
1,6
0,1
Belo Horizonte
2,2
3,6
0,9
Boa Vista
2,3
4,4
0,3
Campo Grande
2,0
3,9
0,3
Cuiabá
2,4
4,9
0,0
Curitiba
1,8
3,7
0,1
Florianópolis
2,0
3,5
0,6
Fortaleza
1,9
4,1
0,1
Goiânia
2,7
5,2
0,6
João Pessoa
2,4
5,2
0,2
Macapá
3,3
5,4
1,4
Maceió
1,5
3,3
0,0
Manaus
1,8
3,6
0,1
Natal
1,4
2,9
0,1
Palmas
2,6
4,7
0,4
Porto Alegre
1,5
3,2
0,1
Porto Velho
2,2
4,4
0,1
Recife
1,6
3,5
0,2
Rio Branco
2,7
5,5
0,2
Rio de Janeiro
2,1
4,0
0,5
Salvador
1,2
2,5
0,1
São Luís
2,2
4,8
0,2
São Paulo
1,0
1,9
0,1
Teresina
2,8
5,9
0,2
Vitória
1,1
2,1
0,3
Distrito Federal
1,6
3,2
0,3

 

Tabela 4 – Percentual de indivíduos que, nos últimos 30 dias, em pelo menos uma ocasi-ão, conduziram veículos motorizados após consumo abusivo de bebida alcoólica no conjunto das capitais dos estados brasileiros e Distrito Federal, por sexo, segundo idade e anos de escolaridade*. VIGITEL, 2009.

Variáveis
Total
Masc.
Fem.
%
%
%
Idade (anos)
18 a 24
1,8
3,5
0,3
25 a 34
2,1
3,8
0,5
35 a 44
2,0
4,0
0,2
45 a 54
1,3
2,8
0,1
55 a 64
1,3
2,9
0,1
65 e mais
0,2
0,6
0,0
Anos de escolaridade
0 a 8
1,3
2,6
0,2
9 a 11
1,6
3,4
0,2
12 e mais
3,0
5,5
0,7
Total
1,7
3,3
0,3

Percentual ponderado para ajustar a distribuição sociodemográfica da amostra VIGITEL à distribuição da população adulta de cada cidade no Censo Demográfico de 2000 e para levar em conta o peso populacional de cada cidade (ver Aspectos Metodológicos).

Outras informações
Atendimento à Imprensa

(61) 3315 3580 e 3315-2351

 
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