Polícia começa a testar aparelho que detecta insulfilm irregular

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Um dos acessórios mais vendidos desde 1995, as películas automotivas foram regulamentadas em 2007, mas só agora poderão ser devidamente fiscalizadas, ainda que de maneira tímida.

A PRF (Polícia Rodoviária Federal) de Itapecerica da Serra (a 34 km de SP) comprou dois medidores de transmitância luminosa, os primeiros do Estado.

 

Os aparelhos que aferem a transparência dos vidros com película devem estrear nas blitze de fim de ano da rodovia Régis Bittencourt, afirmam os agentes federais consultados pela Folha.

Em comunicado, porém, a PRF não confirma o local nem a data das blitze, argumentando que ainda finaliza a incorporação dos dois equipamentos ao órgão, que administra 62 mil quilômetros de estradas pelo país.

A tendência é  que as fiscalizações se estendam também ao perímetro urbano.

Consultada, a Companhia de Policiamento de Trânsito de São Paulo diz que "estuda" a compra e a real eficiência do medidor, que custa R$ 8.500, nove vezes mais que um bafômetro.

Quem for flagrado guiando um carro com película mais escura do que o permitido (veja os limites no quadro ao lado) poderá receber multa grave (R$ 127,69 e cinco pontos) e ter o veículo retido até a retirada do filme ilegal.

Para José Oka, supervisor de pesquisa do Cesvi (Centro de Experimentação e Segurança Viária), os vidros escuros reduzem a percepção de obstáculos e de pedestres por parte do condutor, principalmente à noite (e com chuva).Tanto que o Cesvi iniciará em 2011 um estudo para medir o impacto provocado pelas películas no trânsito. Ainda assim, as novas tecnologias para o insulfilm aumentam a procura em lojas.

"Os mais modernos são os filmes antivandalismo [resistentes a pedradas] e os que filtram raios UV e infravermelhos, que reduzem a temperatura da cabine em até  9C", diz Elges Greco, da 3M.

Eles custam de R$ 290 a R$ 1.000 (em todos os vidros, o do para-brisa é transparente) e variam com a marca.

Mas, para Fábio Martins, 36, dono de um VW Polo com vidros bem pretos, o início da fiscalização não o assusta. "As películas escuras inibiram os ladrões de me assaltarem. Ainda prefiro correr o risco de ser autuado", diz.

A lei exige que uma chancela seja grafada na película informando a transmitância do insulfilm em cada vidro. Só que não há fiscalização nas lojas, e o instalador pode escolher o selo dentro do permitido para aquele vidro, independentemente da translucidez real da película.

Francisco Castro Junior, presidente da Associação nacional dos instaladores de insulfilm, admite que a prática é comum, mas diz abominá-la. "O cliente pede películas mais escuras, mesmo sabendo que são ilegais. Deveria haver um termo de responsabilidade isentando o instalador", diz Castro.

Hoje, a chancela virou "brinde" do insulfilm escuro.

 
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