Especialistas pedem mudança no psicotécnico

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Essa idéia ganhou força nos últimos meses, depois que incidentes ocorridos em vias públicas de São Paulo e Rio, ocasionados supostamente pelo desequilíbrio dos motoristas, foram destaques dos noticiários. Entre as barbaridades cometidas no trânsito está o caso de uma bancária que dirigiu na contramão por 5,5 quilômetros por avenidas movimentadas na Zona Sul da Capital Paulista. Segundo a família, a moça de 27 anos sofria de transtorno bipolar. No Rio, há um mês, um homem saiu do carro e desferiu um golpe com uma  barra de ferro na cabeça de um funcionário público porque ele havia reclamado de que o motorista havia ultrapassado o sinal vermelho.

De acordo com o Código de Trânsito Brasileiro, o teste psicotécnico é aplicado sempre a quem está requerendo a primeira habilitação. Depois, apenas os motoristas profissionais são obrigados a refazê-lo cada vez que precisem renovar o documento.

Para impedir que pessoas com distúrbios psíquicos tenham acesso à CNH, Salomão Rabinovich, diretor do Centro de Psicologia Aplicada ao Trânsito (Cepet), defende mais rigor nos testes e, também, que todos os motoristas, tanto profissionais quanto amadores, façam testes psicotécnicos na hora da renovação. ‘‘A CNH não é um direito. É uma concessão. E o Estado é responsável quando concede’’, ressalta.

Com 35 anos de experiência em estudos e pesquisas na área de comportamento no trânsito, Rabinovich diz que, para evitar que pessoas com distúrbios psíquicos tenham autorização para dirigir, seria necessária a elaboração de um perfil psicológico do aspirante à CNH. Para ele, é muito superficial o teste psicotécnico porque avalia apenas a capacidade de atenção e inteligência: ‘‘Se eu fosse aplicar um teste psicológico rigoroso,  não daria carta para mais de 20% dos motoristas’’.

Há sete anos atuando no ramo, a psicóloga Melissa Vaz de Lima calcula que duas em cada 100 pessoas sejam reprovadas em testes psicotécnicos. Ela diz que diagnosticar por exemplo um transtorno bipolar é muito difícil porque a pessoa alterna quadros emocionais. ‘‘No dia em que o candidato fizer o teste pode estar bem, mas depois pode ter um surto’’, observa ela, que trabalha no Serviço de Medicina Profissional (Sermep).

A psicóloga clínica Elaina Rabelo Pereira Nunes acredita que se não houver mudanças, será complicado criar expectativas de que os testes psicotécnicos possam apontar sintomas de distúrbios psíquicos. ‘‘Do jeito que é, dificilmente alguém é reprovado nos exames’’, di

 
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