Boas iniciativas não faltam

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Acidentes envolvendo caminhões são muito mais graves. Há uma grande diferença de massa em relação aos automóveis, além de limitações técnicas como estabilidade, dirigibilidade e capacidade de frenagem. Acima de tudo, atrás do volante existe um profissional que deve primar pela consciência sobre os riscos envolvidos e capacitação.

Um tipo de acidente inadmissível é uma caçamba basculável se elevar com o veículo em movimento. Ao bater em viadutos e – pior – em passarelas, as conseqüências são desastrosas. Recentemente isso ocorreu numa moderna rodovia nos arredores de São Paulo. A passarela desabou e morreu o passageiro de um carro que se chocou contra a parede de concreto.

Independentemente da falta de manutenção hidráulica, falha técnica ou de operação, há maneiras de evitar esse tipo de acidente ao projetar o sistema. Há mais de 10 fabricantes de equipamentos basculáveis, mas com certeza nem todos colocam recursos redundantes de controle ou à prova de erros. Os conscientes chegam a exigir três movimentos simultâneos para liberar a caçamba.

Um exemplo de mentalidade focada em segurança é o programa de desenvolvimento de motoristas da Volvo, iniciado no começo de 2008. Estatísticas apontam 90 mil acidentes/ano envolvendo caminhões nas estradas brasileiras. Morrem 4 mil camioneiros e mais 8 mil pessoas em veículos menores envolvidos. O curso, inicialmente para os profissionais de frotistas da marca, destaca-se pela interação entre os alunos. A técnica pedagógica é bem menos focada no professor tradicional e mais na conscientização e mudança de hábitos, conforme metodologia da especialista Nereide Tolentino.

Levando-se em conta o contexto (condições pessoais e ambientais), a via e o veículo, o objetivo principal de cada curso, para 10 participantes, é transformar o motorista passivo em gerenciador de riscos. Sem esquecer a utilização racional dos recursos técnicos dos caminhões modernos. A meta inicial contempla reciclar mil motoristas por ano.

Numa perspectiva mais ampla, a marca sueca vai oferecer no Brasil, ainda este ano, o medidor eletrônico do grau de ingestão alcoólica. Uma iniciativa alinhada com a Lei Seca, que prevê rigor máximo contra motoristas que bebem antes de dirigir e cortou drasticamente o nível de álcool de 0,6 grama/litro de sangue para 0,2 g/l, quantia simbólica. O Alcolock impede a condução do caminhão ou ônibus por um motorista sob influência do álcool. Basta soprar no aparelho dentro da cabine. Na Europa desde 2005, custa cerca de R$ 5 mil, mas ainda sem previsão de preço por aqui.

Quando há vontade para pelo menos amenizar os problemas de segurança no trânsito, boas iniciativas não faltam.

 
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