De volta ao tempo das caronas

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Há alguns anos, quando Tatiana era adolescente, a participação de seus pais nas idas e vindas das festas era constante.

– Nas festinhas, era o meu pai que me levava e buscava. Muitas vezes, ele ia de pijama, na madrugada – lembra.

Com o tempo, a guria cresceu, tirou a habilitação e passou a dirigir pela noite, mesmo que às vezes tomasse uma ou duas cervejas.

– Nunca fui de beber muito. Por isso, desde os 18 anos, estava sempre de carro. Com a lei, eu e uma amiga intercalamos quem vai beber, vamos de táxi ou com nossos pais.

O fato de deixar o carro de lado também fez com que ela abrisse mão de algumas festas em lugares mais distantes, pelos gastos com táxi. O jeito é tentar reunir uma galera na hora de ir embora e dividir a corrida. Mas quando o orçamento aperta, ela não se intimida em pedir carona para a mãe.

– Quando a gente fica mais velho, se dá conta de que essa história de pagar mico ao chegar em algum lugar com os pais é bobagem – diz.

E, do outro lado da história, mesmo com a nova tarefa, Márcia considera o resultado positivo.

– Não é uma tarefa ruim, pois sabemos que é mais seguro. Prefiro isso a ela correr o risco de dirigir alcoolizada – destaca.

O que pensam os jovens motoristas

Em pesquisa, 448 admitem dirigir depois de ingerir álcool

Que álcool e direção formam uma combinação perigosa, os jovens estão cansados de saber. O problema é que, mesmo conscientes dos riscos, quase metade admite pegar o volante depois de beber.

A revelação preocupante está entre os dados de uma pesquisa feita para identificar a relação dos novos motoristas com o trânsito. Realizado em 15 cidades gaúchas, com 1.152 participantes, o estudo apontou que 44,8% deles admitem dirigir após ingerir bebida alcoólica.

Entre os motoristas que ignoram o perigo, 23% garantem poder guiar alcoolizado, porque "conhece seus limites" e por isso teria controle sobre o veículo. O levantamento mostrou duas situações preocupantes: 4,8% não acha que o álcool influencie a maneira de dirigir e 1,9% "gosta de correr riscos".

– Ficamos assustados com esses números. Identificamos que 75% dos jovens consideram o álcool um fator de risco no trânsito, mesmo assim, bebem e dirigem. Pensam que isso não irá interferir – diz Mônica Bruel, uma das coordenadoras da pesquisa.

O estudo foi feito pelo Núcleo Delta Sys da Allcon Consultoria para a Fundação Thiago Gonzaga. É considerado um Raio X inédito sobre a relação juvenil com o trânsito. Os jovens também foram a convidados a opinar sobre a lei de tolerância zero ao álcool e 73,5% se manifestaram favoráveis.

O resultado norteará as companhas da Fundação Thiago Gonzaga, responsável pelo programa Vida Urgente.

– As pessoas falam muito sobre trânsito e jovem somente no "achismo". Agora, conhecemos melhor como eles pensam – observou Diza Gonzaga, presidente da fundação.

 
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