O estudo relacionou dados sobre a frota de veículos, número de acidentes e respectivas vítimas, além do registro de atendimentos realizados pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Os resultados mostram que, em 2005, o Brasil contabilizou quase 100 mortes ao dia.
“É praticamente uma aeronave que cai a cada dia, mas sem que a população se dê conta da dimensão desta tragédia. Como se tratam de mortes no varejo, em diferentes locais, não causam a mesma comoção”, comentou a pesquisadora Maria Helena Mello Jorge, uma das responsáveis pela produção do Atlas, em entrevista por telefone ao Diário.
Chefe do departamento de estatísticas da Abramet e professora associada da Faculdade de Saúde Pública da USP, Maria Helena acredita que o resultado de Mato Grosso no ranking esteja relacionado à expansão na frota de motocicletas a partir do início da década.
Em 2001, segundo ela, havia 48 motos para cada grupo de mil habitantes. Em cinco anos, a taxa havia dobrado – 86 por mil. “Trata-se de uma expansão absurda, que provavelmente está na raiz desta alta mortalidade”.
O Estado detém a segunda maior taxa de mortalidade de motociclistas do país. De acordo com a pesquisadora, os acidentes neste caso tendem a provocar maiores danos às vítimas. “Você não pode contar com a proteção da lataria, em comparação com um acidente de carro”.
Mas ainda é preciso investigar fatores regionais. “Em Mato Grosso, por exemplo, a taxa de mortalidade é muito maior do que a de internações hospitalares por conta destes acidentes. Isso significa que as ocorrências, de uma maneira geral, são muito graves”, argumentou.
Em entrevista ao jornal O Globo, a pesquisadora Maria Sumie Koizumi, também integrante do estudo, lembrou que, entre 1996 e 2005, a proporção de motociclistas entre as vítimas fatais de acidentes passou de 2,15% para 16,6%.
“E o que mais preocupa é que a maior parte dessas ocorrências é relacionada a serviços de moto-frete”, apontou Maria. “Ou seja, são acidentes de trabalho”.
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