Não surpreende que as reações críticas sejam as mais incisivas num país que só recentemente passou a conviver com ações reguladoras mais efetivas da convivência de motoristas e pedestres em metrópoles e mesmo em pequenas localidades. O projeto prevê que todos os veículos da cidade terão um chip, com dados como placa e chassi. O controle da circulação será feito por meio de 2,5 mil antenas que funcionam como radares, com o auxílio das câmeras conhecidas como pardais. São múltiplos os objetivos da ação viabilizada por convênio entre Estado e prefeitura. O principal é o que se refere à segurança. Com a identificação instantânea dos dados, veículos furtados poderão ser identificados em tempo real. Os órgãos de segurança também poderão analisar, a partir das informações sobre freqüência de ocorrências, quais são os principais corredores de fugas de ladrões de veículos.
O que provoca a costumeira contrariedade de proprietários e usuários de veículos é o entendimento de que, a pretexto de que se investe em segurança, esconde-se mais uma vez o desejo de multar cada vez mais, já que o monitoramento também servirá para identificar carros com impostos atrasados e até mesmo a velocidade média percorrida por um veículo em um longo trecho, e não só diante de locais com pardais.
Países que chegaram a um patamar superior da regulação do trânsito nos oferecem há muito tempo o exemplo de que avanços nessa área somente acontecem com a combinação de educação com ações coercivas. O Brasil, onde a educação para o trânsito, a fiscalização e a punição ainda são precários, está longe de atingir o nível de civilidade dos padrões europeu e americano, construídos ao longo de décadas. A cultura do respeito entre quem conduz veículos e quem circula a pé ou pedala bicicletas, como vemos com freqüência nas paisagens européias, é resultado também de leis rigorosas e de severas punições aos infratores.
Uma iniciativa como essa que começa por São Paulo, que combina atenção à segurança, fiscalização do pagamento de impostos e inibição de infrações, merece muito mais aplausos do que críticas pela contribuição que dará à civilidade das nossas metrópoles, brutalizadas, entre tantas outras causas, também pelo caos do trânsito.
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