Para a Polícia Rodoviária Federal (PRF), a pesquisa divulgada ontem pelo Ministério da Saúde – do aumento de quase duas vezes no número de pessoas que admitiram beber e dirigir, na comparação entre os primeiros meses de vigência da lei seca (julho e agosto de 2008) e o mês passado – “não representa a realidade das rodovias federais no País”. “Dos primeiros meses de vigência da lei seca para cá, verificamos diminuição expressiva no número de pessoas flagradas ”, disse o inspetor Antônio Castilho, da Superintendência da PRF em Brasília.
Segundo a PRF, foram realizados, entre junho do ano passado (quando a lei entrou em vigor) e 31 de março, 120 mil abordagens em rodovias federais do País. Em julho e agosto de 2008, uma em nove pessoas abordadas foi flagrada por dirigir com níveis de álcool no acima do limite legal. Em março deste ano, porém, foi um flagrante em cada 16 pessoas abordadas – o que indicaria, para a PRF, maior respeito à legislação.
Ministro quer fiscalização ‘mais forte’
O ministro da Justiça, Tarso Genro, disse ontem que a fiscalização precisa ser mais forte para inibir o uso de álcool por motoristas.
Ele lembrou que o governo comprou dez mil bafômetros e os equipamentos estão sendo distribuídos às autoridades estaduais, que controlam o trânsito nas cidades, onde o problema é mais frequente. A Polícia Rodoviária Federal já está aparelhada com bafômetros. “É necessário que a fiscalização seja mais forte, que as autoridades se dediquem mais a isso porque é uma questão também de redução da violência nas cidades.”
Para o ministro, o fato de o consumo de álcool entre motoristas aparentemente ter retornado ao nível anterior à vigência da Lei Seca quer dizer “que as pessoas estão confiando que a lei não vai pegar”. Pesquisa realizada pelo Ministério da Saúde indicou que 2,2% dos entrevistados em março admitiram beber antes de dirigir. Em agosto do ano passado, o índice foi de 0,91%, pouco após a promulgação da lei, em junho.
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